EDITORIAL: O TGV VEM; O TGV VAI

Diário de Bordo - II

 

O porto da área de Sines foi pensado para ser um grande porto europeu. Dada a posição geográfica de Portugal,  a ligação aos maiores centros urbanos e industriais do velho continente (parece que está mesmo velho) foi sempre considerada como tendo de ser especialmente acautelada. Entretanto, o projecto tem tido de enfrentar vários obstáculos. E vai ter de continuara a enfrentá-los.  Cada vez mais.

Um dos obstáculos  é a concorrência de outros portos europeus. E aí há um ponto especial: para o transporte de mercadorias será necessário construir o caminho-de-ferro de ligação ao centro da Europa. Este terá de permitir a circulação de combóis rápidos de mercadorias, para  dar vantagem a Sines em relação a outros portos, como Roterdão, que tem sido o porto principal de entrada e saída  de mercadorias entre a Europa e o exterior. A obtenção do apoio financeira da União Europeia necessário para esta obra terá de ultrapassar muitos obstáculos, como a concorrência de outros portos, e as pressões em Bruxelas em sentido contrário. Depois, há a questão da bitola ferroviária em Espanha, diferente da portuguesa e da europeia. Terá de se convencer Espanha a fazer as obras necessárias, e a aceitar que Sines faça concorrência mais forte aos portos espanhóis.

Já lá vão quarenta anos sobre a inauguração do porto de Sines destinado ao  transporte de mercadorias em grande escala. O problema da linha férrea continua por resolver. O actual governo, depois de ter decretado que o TGV nunca mais, parece querer ressuscitá-lo sob a forma de ser exclusivamente dedicado ao transporte de mercadoria. Assim, preparemo-nos para o espectáculo: TGV para o PS, linha transporte de mercadorias para o PSD/CDS.  Qual é que vai sair da cartola? E será que vai até ao fim?

Mas estamos perante um projecto que parece ser realmente interessante para Portugal, ao contrário de outros que andaram (e andam) por aí. Como o aeroporto da Ota, que nunca foi feito, mas mesmo assim ainda custou muito dinheiro, as auto-estradas sem carros, a plataforma logística da Castanheira, barragens de fraco rendimento, e outros. É bom ter isso presente.

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