O PATO ALGEMADO – XXI – por Sérgio Madeira

Começamos com um discurso da dona Angela sobre Portugal

Vamos fazer a vontade à senhora chanceler e mandar fotografias – a senhor dona Angela, não pede: manda. OImagem2 Pato vai mandar a fotografia de uma prima que trabalha na profissão mais antiga do mundo e que acha que os putómetros são uma boa ideia. E agora o Professor Júlio Marques Mota, grande amigo do Pato, fala-nos passómetros. O Pato não está preocupado. Só pede ao deus dos patos que ninguém se lembre de montar passarómetros ou, pior ainda, patómetros.

Ainda se fosse coelhómetros…

Depois dos putómetros, os passómetros

Depois dos putómetros na antiga capital da Alemanha, a emitirem os recibo de um imposto  camarário de  6 euros por cada noite de serviço de cada prostituta,  eis um Organismo oficial de Emprego na Alemanha, a merecer o adjectivo de Organismo Oficial de Passometria, encarregado de colocar jovens raparigas em casas de passe situadas em território alemão, sendo certo que Passometriaé palavra que ainda não existe, mas a que se dá agora foros de merecer estar no dicionário,  graças às políticas de austeridades  da senhora Merkel.

Mas não me levem a mal, Passometria não tem nada a ver com Passos , não tem nada a ver com Passos  Coelho, mas sim com Passes ( com casas de passe ), mesmo que o  seu ministro das Finanças , de nome Gaspar, ainda não se tenha lembrado de criar em Portugal o mesmo quadro legal que a sua verdadeira patroa,  AngelaMerkle, porque se o fizer, certo será que teremos muitos mais passómetros e muitos mais putómetros  por este país  e com a certeza, igualmente, que serão autorizados pela Troika, a quem se pede licença para tudo.

Júlio Marques Mota

 

O ESTRANHO CASO DO PASTOR ALEMÃO – a ameaça no voice mail

Quando, bebidos os cafés, Pais, Filipe e Marília, apreensivos com a noticia da fuga do travesti do presídio de Alcoentre, voltaram ao gabinete do inspector, deparou-se-lhes o quadro de um Paralelo de Sousa, junto à janela e desfiando perante o agente Esteves profundamente adormecido a história da Áustria no pós-guerra. Pais, apreciou a cena, comentou com o seu «- Estrordinário!» . Depois deu um berro que pareceu fazer estremecer o edifício: «Cale-se!»

Esteves deu um salto, acordando estremunhado e Paralelo de Sousa voltou-se, pois não se apercebera ainda da entrada de Pais, do detective e da sua secretária. O Pais prosseguiu em voz estentórea: – Vá gozar o ca… – olhou Marília e prosseguiu – Você está preso! – depois emendou – Bem, não está preso, está detido!

O escritor titubeou um protesto. Pais impediu-o – Cale-se! Está detido por suspeita de assassínio do comendador Emanuel de Sousa Figueira – voltou-se para o agente Esteves – Ó Esteves, leve este caramelo à identificação, lavre-lho o auto de detenção e meta-o numa cela – voltou-se para o detido – Se quando o voltarmos a interrogar, voltar a gozar-nos…

Quando Paralelo de Sousa e Esteves iam já a sair, Pais berrou de novo: – Espere! – Agente e detido pararam.

– Porque é que lhe chamam o ‘pastor alemão’?

O escritor não se fez rogado.

– Quando, em 1952 eu e o meu irmão aqui chegámos, Portugal vivia um período de subdesenvolvimento social e atraso económico…

O Pais, interrompeu-o:

– Uma resposta em vinte… trinta… vá lá, :quarenta  palavras – cada uma que disser  a mais é um dia que somo á sua detenção. Vamos começar:

– A família que me acolheu… – o Pais contou pelos dedos:

– Cinco.

– … tinha rebanhos de cabras e ovelhas…

– Onze.

.- Depois da escola, eu…

– Vinte.

– ia ao pasto recolher um rebanho…

– Vinte e seis.

– ainda  não sabia falar português…

– Trinta e um.

– Respondia ao que me perguntavam em alemão…

– Trinta e oito – e vendo que o outro ia continuar – Já percebi, recolhia o rebanho e falava alemão era o

– Pastor alemão!

– Quarenta! – e mandando o Esteves levar o detido, comentou para Filipe e Marília:

– Lógico!

Filipe Marlove e Marília despediram-se do inspector. No escritório esperava-os uma desagradável surpresa – entre as mensagens gravadas no voice mail, uma voz nasalada em que reconheceram a de Janelas, o Louca das Caldas: «Então queridos, têm passado bem? Eu estou na maior! Não pensem que me esqueci de vocês. Um dia destes, faço-vos a folha. Querem uma faca de inox, daquelas do Braz & Braz, como a da Laura ou preferem uma xingú? – deu uma gargalhada – Adeus meus amores. Filipe, cuidado com os capachos! Marília querida, tem cuidado com a borbulhagem – isso é problema de ovários. Quando te for tratar da garganta, levo-te um remédio à base de mijo de vaca… temos de ser umas prás outras!»

A seguir – Paralelo de Sousa explica-se.

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