por Rui Oliveira
Não abundam os eventos novos e de interesse indiscutível nesta Quarta-feira 13 de Fevereiro … não fosse esta a Quarta-feira de Cinzas, antitética do Carnaval !
Um é relativamente misterioso pois as informações provindas, quer do teatro, quer do seu produtor, o Projecto Teatral, apenas esclarecem que, no palco da Sala Principal do Maria Matos Teatro Municipal será apresentada a peça (colectiva) “Moinho” de Maria Duarte, Helena Tavares, Gonçalo Ferreira de Almeida, André Maranha e João Rodrigues, a qual estreará na Quarta-feira 13 Fevereiro das 20h30 às 23h30 e estará em cena até Domingo 17.
A entrada é livre (sujeita à lotação da sala) mediante levantamento prévio de bilhete.
Nota: Verifica-se on line que projecto idêntico esteve já no Maria Matos em 2010, também em Fevereiro.
Dos poucos espectáculos musicais (e de música não clássica !) desta Quarta-feira 13 de Fevereiro ressalta na galeria Zé dos Bois, às 22h, o concerto do grupo canadiano os “Metz”, os quais – segundo este palco conhecedor – “assumem a missão de lutar, com uma indiferença altiva, contra a ocupação da primeira linha das listas pelo pop dito moderno, destilando, com a elegância e a fúria necessárias, um noise-rock poderoso”.
“O que estes canadianos dos “Metz” conseguiram num só disco (o homónimo, lançado o ano passado) foi rejuvenescer o classicismo que envolvia o rock alternativo dos anos 1990 (tipo Nirvana, Fudge Tunnel ou Rapeman) e, ao mesmo tempo, resgatar do esquecimento a experimentação juvenil dos Silverfish e dos Walking Seeds. E esse duplo feito ficará para a história do rock muito à custa da invenção dos três músicos : na bateria, Hayden Menzies concilia força bruta e leveza, enquanto Chris Slorach e Alex Edkins sacam das guitarras, melodias e sons que produzem um efeito encantatório… O rock pode ter desaparecido do radar da imprensa, mas ninguém ousará dizer que morreu …”
Após esta apresentação tão encomiástica, resta-nos mostrar (aos interessados) o vídeo oficial daquele seu primeiro álbum “Metz” :
No palco da ZBD segue-se, nessa mesma noite, o rock instrumental dos “Cangarra” com Cláudio Fernandes na guitarra e Ricardo Martins na bateria, regressando à Galeria dois anos depois de uma noite dita “mítica” com os Monotonix para apresentar o seu novíssimo disco ‘D’.
Anexo à ZDB, no espaço Negócio (Rua de O Século, nº 9 porta 5), a produtora Truta apresenta “Lenz”, uma adaptação da novela com o mesmo nome de Georg Büchner numa tradução de Nuno Júdice.
É uma criação do actor Pedro Lacerda e é uma proposta de teatro para um actor e um pintor, cujos pontos de partida são o texto da novela e uma tela em branco, construindo-se nesse encontro, nessa relação entre a imagética e o discurso.
O espectáculo reconstitui o percurso de Lenz que parte para uma viagem solitária acompanhado por imagens de uma aspereza gélida e uma natureza imensa, tentando sobreviver a si próprio e ao mundo. O texto trata da viagem trágica desse homem e da sua caminhada progressiva para loucura, das suas qualidades como pessoa e artista e das razões que o fazem gorar um futuro que se adivinharia brilhante.
Diz o actor/criador : “A descrição de Lenz pode ser analisada como um caso clássico de esquizofrenia mas encerra em si para além da análise médica, todo o interesse de um homem moderno que questiona, que luta contra o caos do mundo. Tudo isto nos interessa na identificação de Lenz como homem contemporâneo, como figura resistente ao seu contexto, como indivíduo livre”.
No campo das conferências/debate, prossegue nesta Quarta-feira 13 de Fevereiro no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h (com entrada livre e tradução simultânea) o Ciclo de Conferências “360° – Ciência Descoberta” que acompanhará a exposição com o mesmo nome a inaugurar no próximo dia 2 de Março que abordando a ciencia de portugueses e espanhóis na época dos descobrimentos.
Esta segunda palestra intitula-se “Natural History as a Meeting Point : Portuguese – Dutch global encounters and the study of nature, 5500-1650” (A História Natural enquanto ponto de convergência : Encontros globais Luso-Neerlandeses e o estudo da natureza) e será proferida por Florike Egmond (Universidade de Leiden, Holanda).
A introdução do seu resumo elucida o propósito : “Entre 1500 e 1650, dois países europeus de marinheiros e relativamente pequenos, Portugal e os Países Baixos, criaram impérios marítimos que abarcaram o mundo. Inevitavelmente, confrontaram-se um com o outro, também de forma violenta, especialmente na Ásia (Índia, Japão e no arquipélago Indonésio), durante a segunda metade do séc. XVI, e no Brasil, durante a primeira parte do séc. XVII. A natureza, sob a forma de plantas e animais, constituiu uma das principais questões desse confronto. Afinal de contas, as especiarias, tais como o cravinho, a noz-moscada, a pimenta e a canela, são plantas. 
Os novos medicamentos desse período eram baseados em plantas exóticas. E os Europeus esperavam, à semelhança do que se passa na actualidade, que a natureza exótica detivesse a chave para novos medicamentos, alimentos e produtos até então inimagináveis. Mas, em muitos casos, a procura de informação sobre a natureza exótica ia para além do comércio e do interesse exclusivamente pragmático, fazendo parte do esforço científico para compreender e dar sentido à riqueza e variedade da natureza, dentro da Europa e fora dela …”.
Segue-se-lhe o debate habitual.
Haverá transmissão online : http://www.livestream.com/fcglive e videodifusão : http://live.fccn.pt/fcg/
Outro ciclo de conferências é o patrocinado pelo Istituto Italiano di Cultura de Lisboa (de que não temos falado).
Referimo-nos, nesta Quarta-feira 13 de Fevereiro, ao Seminário “Revelar a paisagem” com a presença de Roberto Taroni do colectivo “Flatform”, organizado pelo projecto de investigação “Filosofia e Arquitectura da Paisagem” do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e que tem lugar no seu Anfiteatro III, às 14h, com entrada livre.
Flatform é o nome de um colectivo de artistas e videoartistas criado em 2007, com sede em Milão e Berlim, cujos emblemáticos trabalhos merecem uma atenção especial enquanto testemunhos da crescente abertura e da continua flexibilidade do cinema como meio de expressão artística. Na base da poetica visual dos Flatform está uma profunda reflexão sobre a arte e sobre o vazio, entendido no sentido «heideggeriano»: um vazio que não é simplesmente nada mas que, pelo contrário, está impregnado de sinais e elementos invisíveis.
Por último, lembramos mais uma exposição cujo fecho se aproxima no próximo Sábado 16 de Fevereiro.
Trata-se de “Variações da Fé”, um trabalho de Hélène Veiga Gomes, cujo curador foi António Pinto Ribeiro, organizado em parceria da Fundação Calouste Gulbenkian com a galeria Carpe Diem – Arte e Pesquisa (Rua de O Século, 79, ao Bairro Alto), onde se encontra exposto de Quarta a Sábado das 13h às 19h. A entrada é livre.
Descreve o seu folheto : “Um corredor, uma antecâmara, outra, a sala grande. Um poster de Meca. Um ponto de água. Ao longe, a voz do chamamento. “Variações da fé” é uma instalação que visa restituir os espaços simbólicos de uma mesquita contemporânea. Ao pesquisar sobre a dimensão ritual do culto muçulmano, Hélène Veiga Gomes trabalhou a partir das condições de transposição da sala de orações para a sala de exposição, criando assim uma experiência acerca da reformulação dos elementos necessários à oração. As abluções, o descalçar-se e o rezar constituem as três etapas encenadas dentro do simulacro, sugerindo uma progressiva desmistificação dos diferentes elementos sagrados para voltar à questão central : como pensar a fé?”.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui)





