REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

O encerramento de fábricas, a austeridade… uma explosão social é ela possível?

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Respostas recolhidas por Jessica Dubois | 08/02/2013, 18:39 – 701 mots

De acordo com Stéphane Sirot, sociólogo e historiador no Universidade de Cergy Pontoise, os movimentos sociais permanecerão limitados às empresas em dificuldade. Mas um descontentamento geral poderá aparecer com a continuação das políticas de austeridade.

LA TRIBUNE – Enquanto os conflitos se multiplicam nas empresas, os serviços de informações da polícia receberam como instrução anteciparem uma possível radicalização dos movimentos sociais. Haverá na verdade um risco de se ver transformarem-se os diferentes movimentos nas empresas em dificuldade numa autêntica explosão social generalizada?

Stéphane Sirot – Estes tipos de fenómenos não se prevêem. Eu acho que vai haver uma proliferação de mini- explosões, como nas fábricas PSA (Peugeot) , mais do que uma explosão social geral e nacional. Essas explosões acontecem nos locais onde existem supressões de postos de trabalho. Mas os acordos de competitividade-emprego, que foram assinados em 11 de Janeiro, podem, na sua aplicação, aumentar a tensão social.

A tendência hoje é a da multiplicação de micro-conflitualidades.  A tensão social nas empresas é medida pelo Ministério do Trabalho. E desde há já uma década, que se observa um aumento de tensões, sem serem necessariamente  muito espectaculares  ou muito visíveis. Ela pode-se manifestar pelo absentismo, por exemplo.

Para enquadrar e levar a uma mobilização nacional, é necessário a existência de organizações estruturantes. No século XX, as grandes manifestações eram controlados pelas grandes organizações sindicais .

Os sindicatos hoje participam eles, na radicalização dos movimentos, ou, pelo contrário, eles actuam no sentido do apaziguamento?

Hoje, as organizações sindicais não têm vontade de fazer subir a tensão. As reacções são radicais, quando, em face delas, as direcções das empresas  têm uma abordagem radical. No caso da Renault, os acordos de competitividade e de emprego podem assumir uma forma de ameaça: se eles não assinam os acordos fecham a fábrica. A maneira como o diálogo social é encarado não é necessariamente a boa e esta pode  levar a um movimento radical.

jessica dubois  - II

O que actualmente actua em favor deste radicalismo, não são necessariamente os sindicatos – que privilegiam a negociação-, mas certos assalariados  que consideram que estão a pagar hoje a escolha das más decisões industriais. Eles pensam ser afinal  uma variável de ajustamento. E há uma decepção enorme face ao  governo, após as expectativas, tendo em conta as promessas da campanha eleitoral. Este é particularmente o caso com o grupo ArcelorMittal. Isso cria uma decepção, isso atiça as mobilizações que podem repentinamente estourar.

A mobilização vem da base, incluindo a base dos próprios sindicatos. Aqueles que estão em contacto com os assalariados acompanham as mobilizações. Existe um fosso crescente entre os assalariados da empresa e as direcções sindicais, mais empenhadas num processo de acompanhamento das políticas.

Na função  pública igualmente, para os professores, os sindicatos apelaram à  greve na próxima terça-feira porque eles notaram que aí havia uma mobilização. Na base há uma insatisfação que cresce. E o maior perigo para o governo, é o de  ver aumentar estes  desafios.

Violência e a extensão dos movimentos sociais variam de acordo com o matiz política do governo?

Isto poderia ser o caso numa outra época. Mas hoje os assalariados  estão são queimados pelas alternâncias que desde há 30 anos mostram que não há nenhuma diferença real  nas questões económicas e sociais. Hoje, as questões que geram na verdade clivagens entre direita e esquerda são, questões como o casamento homossexual. E não são estas preocupações que dizem respeito aos assalariados neste momento.

O fato de que o actual governo seja de esquerda actua mais  a nível dos quadros  dos sindicatos que dos assalariados . A CGT, o tom é crítico, mas não virulento para com o governo.

Os movimentos sociais actuais são respostas às decisões tomadas em diferentes empresas. Eles não respondem aos mesmos desafios, às mesmas questões. As grandes mobilizações nacionais fazem-se em torno de uma lei ou de uma reforma (o plano Juppé, em 1995, as pensões em 2003, o CPE , contrato para o primeiro emprego, em 2006, etc.). O risco a longo prazo, é que a espiral de austeridade continue e venha a esgotar o corpo social. Isto será então muito mais difícil de gerir a nível nacional.

Não há nenhuma outra escolha que não seja esperar o fim da crise?

O fim da crise, este não é visível . O que se desenha é a prossecução das políticas para reduzir os défices e para reduzir  os custos do trabalho. E mesmo que o retorno  do crescimento e do emprego trouxer a acalmia  este retorno também pode ser acompanhado por exigências de mais altos salários e de melhores condições de trabalho.

Jessica Dubois,    La Tribune, Fermeture d’usines, austérité… une explosion sociale est-elle possible?  Fevereiro de 2013

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