FESTA DA ATALAIA, por José Bastos

José Bastos - VIII

 

As Festas em honra da Nª Sª da Atalaia, realizam-se todos os anos, há séculos, no último domingo de Agosto.

Construído pela Confraria de Lisboa em 1555 e restaurado pela Câmara Municipal de Montijo em 2004
Construído pela Confraria de Lisboa em 1555 e restaurado pela Câmara Municipal de Montijo em 2004

O Santuário da Atalaia, a 4 Km de Montijo, muito perto das Portas da Cidade, é o mais antigo ao Sul do Tejo. O monumento mais antigo é o cruzeiro grande, construído pela Confraria de Lisboa, em 1555, mas a lenda do aparecimento da senhora por cima de uma aroeira é muito mais antiga.

À Festa Grande em Agosto vinham muitos milhares de pessoas dos arredores, de Lisboa, do Ribatejo e do Alentejo, organizados em círios.

Em 1507, quando a peste grassou na cidade de Lisboa já o Círio de Oeiras vinha à Atalaia.

No ano de 1823 vieram à Atalaia 34 Círios das mais diversas localidades.

Ainda hoje vêm às Festas da Atalaia, onde têm casa própria para festas, os seguintes Círios: Círio da Azóia desde 1673, Olhos de Água desde 1723, Quinta do Anjo desde 1780, Carregueira desde 1833, ano da cólera morbus, Círio Novo desde 1945, resultado de um conflito no  Círio da Carregueira.

O Círio dos Marítimos de Alcochete, não tem casa na Atalaia, mas desde 1539 que lá vão na 2ª feira de Páscoa.

Nos anos quarenta do século passado, o Montijo e a região despejavam-se para a Atalaia. Os que tinham mais recursos iam de casa mudada. A festa começava logo na Praça da República, onde embarcavam os passageiros nos autocarros, com bichas a darem a volta até à Estrada Nova. Ia também muita gente em carroças e galeras e a pé.

Os Montijenses adoravam  muito mais que hoje as festas em honra da Nossa Senhora da Atalaia. Nesta época ainda não existiam as Festas Populares de S. Pedro

Era uma festa muito popular em que tudo, de bom, ou de mau ia parar à Atalaia. Ricos e pobres, deficientes a pedir esmola, carteiristas, prostitutas, jogos de sorte e de azar, barracas de tiro.

Com a construção da Ponte Vasco da Gama a Atalaia tem muito mais habitantes de outras origens, mas as tradições continuam os círios enchem-se com gente de toda a região. A procissão em honra da Nª Senhora da Atalaia, ao domingo, com participação de milhares de pessoas é o ponto mais alto das festas.

José Bastos

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