LISBOA, 1476 – por Fernando Correia da Silva

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1476, Lisboa, o Tejo, estuário imenso. Na primavera, vindas de África, naus e caravelas demandam a barra. Regressam carregadas de presas de elefante, malagueta e escravos negros. Chegado o Outono, outra vez irão rumar para o sul. Levarão carga apreciada de barretes encarnados, berloques, espelhos e contas de vidro. Muita gente desvairada pelas ruas de Lisboa. Marinheiros ainda a gingar de bombordo a estibordo. Morenos e vermelhos, franzinos e gigantes, cabelos pretos e de palha, línguas muitas. Também papagaios a palrar nas varandas, um deles até canta em castelhano. Há paredes e paredes cobertas de azulejos. Um coche e os cavalos a galopar, arreda, arreda! Chafarizes e africanos a fazerem fila, esperam vez. Percutem nas vasilhas por encher, é batuque na Europa, todos cantam, todos dançam, riem muito. Peixeiras lançam pregões. Mulheres assomam-se à janela, ó freguesa, é do alto, é fresquinha. Um perna de pau exibe as habilidades do macaquinho que apanhara na Guiné. Na Ribeira das Naus dois camponeses tentam alistar-se como grumetes. As Índias, as Índias, um dia chegarão às Índias, fortuna para todos!

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