POESIA AO AMANHECER – 149 – por Manuel Simões

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DIOGO BERNARDES

( 1530? – 1596?)

 

ELEGIA. ESTANDO CATIVO (fragmento)

 

Sobre um alto rochedo em Berberia

o sem ventura Alcido se sentava

quando o cruel senhor lho concedia.

Ali, se o fraco corpo repousava,

o trabalho do seu cansado esprito

naquele vão repouso se dobrava.

Em suspiros envolto, choro e grito,

soltava pelos ares estrangeiros

o mal que na su’alma estava escrito.

(…)

Lembravam-lhe outros mais floridos prados,

outros ares mais leves, mais suaves,

à vida humana mais acomodados.

(…)

(De “Várias Rimas ao Bom Iesus”)

Do conhecido “poeta do Lima” (ele que publicou “Rimas Várias. Flores do Lima”), esta elegia não foge à teorização literária quinhentista, que caracteriza esta forma poética como género propício ao desenvolvimento de um canto lamentoso e nostálgico. Já aqui encontramos os estilemas do “tema do exílio”, comparando o mal presente à suavidade de “outros ares” que o sujeito conserva na memória.

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