EDITORIAL: A EUROPA E A DEMOCRACIA

Diário de Bordo - II

 

Esta semana o Parlamento Europeu deu um passo histórico ao reprovar o Orçamento Plurianual da União Europeia para 2014-2020. Foi histórico por que foi a primeira vez que aconteceu. Resta saber como será no futuro. Os chefes de estado europeus tinham aprovado um orçamento em baixa, também pela primeira vez na história da união europeia. O Parlamento Europeu não pôs em causa o total da verba aprovada, pôs em causa as prioridades na sua distribuição pelas várias rubricas.

Evidentemente que estamos perante um processo que irá das muitas voltas. E será errado atribuir-lhe um significado maior do que o que realmente tem. Mas há que reconhecer que foi interessante ver pela primeira vez a gigantesca máquina da União Europeia, onde a democracia não abunda, e a participação dos europeus também não, emperrada pelo único órgão eleito da comunidade. E por números pesados: 509 deputados rejeitaram o acordo político sobre o Orçamento alcançado no Conselho Europeu de Fevereiro, contra 161 e 23 abstenções. O Parlamento Europeu foi mandatado para renegociar o quadro financeiro plurianual, prevendo-se a introdução de uma revisão intercalar, que possibilite aos deputados eleitos em 2014 terem uma palavra sobre o mesmo orçamento.

A comunicação social noticiou os factos, mas não lhes deu grande relevo, é preciso notar. As televisões e os jornais parecem preferir o papa, o campeonato europeu, e o Justin Bieber. Já se aborrecem por não poderem deixar de falar no desemprego e na incompetência de Passos/Gaspar. É que mesmo quem não simpatize com a União Europeia, ou talvez sobretudo quem não simpatize com a ideia europeia, pode concordar em que um abalo na enorme estrutura burocrática chefiada por Van Rompuy e Durão Barroso é um passo importante no sentido de proporcionar ao cidadão comum uma hipótese de fazer ouvir uma voz em decisões que pesam na sua vida. Não será a revolução. Mas o abalo merece atenção e que se acompanhe os episódios futuros.

Leave a Reply