Selecção, tradução e nota de leitura por Júlio Marques Mota
Has Spain’s Economic Contraction Now Become Self Perpetuating?
Ter-se-á a contracção da economia espanhola a partir de agora começado a auto-perpetuar-se ?
Edward Hugh, 17 de Fevereiro de 2013
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Parte IV
(CONCLUSÃO)
Uma das características menos bem comentadas do boom na Espanha durante os primeiros anos deste século foi a forma pela qual a chegada de migrantes alimentou uma parte significativa do crescimento económicos de Espanha. A população do país cresceu mais de 6 milhões (de 40 a 46 milhões) nos oito primeiros anos deste século, com aumento dos níveis de emprego quer na economia formal quer na economia informal.
Os migrantes ainda continuam a chegar mas o saldo já é agora negativo. De acordo com dados do Instituto de Estatistica de Espanha de Setembro passado, as saídas em termos líquidos foram de cerca de 20.000 por mês e estão ainda a acelerar . Isto é um quarto de 1 milhão por ano, ou 1 milhão em quatro anos. E os números finais quase que certamente serão muito maiores.
Assim, um país que já não tem o número suficiente de pessoas a trabalhar para pagar para o seu sistema de pensões poder responder às suas necessidades, irá enfrentar a partir de agora e de modo crescente o facto de haver cada menos gente a trabalhar para responder ás necessidades do sistema de pensões à medida que o tempo passa, enquanto o número de pessoas a passar para a situação de reformados irá crescer e crescer. Em parte, isto é o resultado final de se ter estado a ter 1.3 crianças por mulher fértil ao longo destes últimos 30 anos.
Mas, a este grave problema subjacente está ainda a ser somado agora um novo problema e que é mesmo potencialmente bem mais perigoso. Aqueles que agora estão a deixar a Espanha não são apenas os imigrantes que vieram antes. Nestas saídas de Espanha há cada vez mais jovens espanhóis de elevada formação, e ao contrário do que aconteceu em períodos anteriores, muitos dos que agora se vão embora nunca mais voltarão. Não há aqui somente uma enorme perda de capital humano envolvido e a tendência do PIB em Espanha irá ser diminuída uma vez que a força de trabalho diminui constantemente, enquanto todas aquelas casas construídas em excedente se tornarão ainda menos vendáveis. E assim nós podemos caminhar para aquilo a que tem todas as características de um ciclo não muito virtuoso. Assim, na próxima vez, Luis de Guindos orgulhosamente proclamará que as condições económicas estão a melhorar e isto quando deveria preocupar-se e considerar que deveria parar por um momento para reflectir sobre a possibilidade, ou melhor sobre a realidade quase que certa, de que a contracção económica da Espanha agora se alimenta por e de si mesma.
O país não está à espera, como o afirma Landon Thomas do New York Times tão apropriadamente, pelo Primeiro-ministro Rajoy. Com efeito, Rajoy agora transformou a sua já famosa indecisão numa grande virtude. “Às vezes a melhor decisão é não tomar qualquer decisão, e isto em si é uma decisão”, disse ela entusiasticamente ao grupo parlamentar do Partido Popular na semana passada. Ou como um apoiante do PP me disse na semana passada, ao que parece agora Mariano Rajoy tomou uma decisão muito inteligente no outono passado, dizendo que ele gostaria de pedir uma agenda do programa de compra de compras de títulos da dívida se o país precisava disso e não tivesse feito nada . Só o tempo dirá se se tratava de uma tão boa decisão como parece. Entretanto muito longe já de estarem à espera por Rajoy, muitos jovens espanhóis estão agora só à espera para ver quem vai ser o último a sair e assim lhe poderem pedir para pagar as luzes e desligar a corrente .





