SALVEMOS PORTUGAL: COM OS CUMPRIMENTOS DO FMI! de Jean-Pierre Moussy. Enviado por Domenico Mario Nuti

Tradução de Júlio Marques Mota

Salvemos Portugal

Desde 2008, Portugal – membro da zona euro desde a sua criação – diminuiu significativamente a sua actividade económica.  Portugal  foi forçado a procurar  ajuda financeira que lhe foi concedida em Maio de 2011. O ajustamento  exigido pelo programa da ‘Troika’  é fielmente aplicado  pelo governo e de tal modo que recebeu recentemente as felicitações do FMI como também da Comissão Europeia. Hoje, a aplicação do programa suscita cada vez mais  reacções  tanto no plano politico como no plano social e a mais  significativa resultante desta programa é  o aumento do desemprego. Façamos pois um ponto sobre a situação de Portugal.

 1: Apresentação do país : características gerais do país

População: 10.707.924 habitantes (2009); a comunidade portuguesa em França é de cerca de 500.000 pessoas – a comunidade francesa em Portugal é de cerca: 15.000 pessoas;  Superfície: 92.090; Esperança de vida:  78,2 anos (74,95 para os  homens – 81,69 para as  mulheres).

O regime político é de natureza parlamentar e de uma só Câmara, a Assembleia da República; o Presidente da República é  Anibal Cavaco Silva (eleito a  23 Janeiro de 2011) ; o Chefe do Governo é  Pedro Passos Coelho (nomeado a  15 Junho de 2011) :  está à frente de uma coligação de centro-direita  formada pelo  PSD (partido social –democrata )  e pelo  CDS /PP (partido  popular )  o que acontece depois das eleições antecipadas de 5  Junho de  2011 (provocadas pela demissão do Primeiro-ministro  socialista  José Sócrates)

Portugal é membro da OCDE (1948), da NATO (1949), da ONU (1955), do Conselho da Europa  (1976),  da UE (1986),  da zona euro  (1999).

2: Uma situação económica degradada

2008 2009 2010 2011 2012
Crescimento do PIB (em %) (*)

 

0,- -2,9 1,4 -1,6 -4,-
Taxa de Desemprego (em %) (****)

 

7,6 9,5 10,8 12,5 13,8
Défice  publico (em % do PIB) (**) -3,6 -10,2 -9,8 -4,2 -5,5 (P) (***)
Dívida  pública (em % du PIB) (**)

 

71,6 83,- 93,3 107,8 120 (P) (***)
 (*) Source : COFACE ; (**) Fonte :  Eurostat avril 2012 ; (***) Fonte : Previsões COFACE
(****) Fonte :  Perspectives Economiques OCDE

3: Caracteristicas da ajuda financeira

A perda de competitividade do país levou Portugal a solicitar o apoio financeiro:  esta ajuda financeira  foi concedida em Maio de 2011 e é caracterizada por um programa de ajuda financeira de 78 mil milhões de euros  sobre  3 anos (*)

O objectivo da ‘Troika’   era o de  reduzir o défice público para 4,5% em 2012 e para  3%  no final  de 2013, mas, tendo em conta a situação económica que se degradou em toda a zona euro   foi-lhe  então concedido   um período adicional de um ano para atingir esta objectivo (Conselho Europeu de 9 de Outubro de 2012)

4: As contrapartidas exigidas  pela  Troika são  – como é hábito  – muito severas no plano social

– congelamento dos salários dos funcionários – baixa das pensões de reforma  superiores a  1.500 €

– estabelecimento de um tecto e redução  dos susbsídios de desemprego e de doença  ;

– supressão de sete dias feriados

– privatização de  cerca de trinta empresas públicas

– aumento do IVA de (de 6% para  23%) sobre o gaz e a electricidade  e diferentes patamares de imposto  de 3,5%

Até muito recentemente Portugal reinava em Portugal uma certa aceitação política de  diversas medidas restritivas que foram adoptadas pelos sucessivos governos, mas, desde há  alguns meses, esta trégua está quebrada:- o Partido Socialista na oposição tornou-se mais crítico; -dois recursos foram apresentados ao  Tribunal Constitucional: um deles pelo próprio  Presidente da República (contudo também ele do PSD tal como o primeiro ministro): a supressão das remunerações salariais do  13º e 14º mês dos  funcionários e pensionistas  foi sancionada  pelo Tribunal Constitucional em Julho de 2012.  O projecto de Finanças  de 2012 , o Orçamento, é  particularmente restritivo – provocou já uma enorme onda de protestos sociais (11 de Fevereiro de 2012 – 21 de Setembro de 2012 – 14 de Novembro de 2012)

Portugal pretendia  voltar aos  mercados financeiros no Outono de 2013 e,  para isso,  seria necessário que as taxas se  restringissem  (a taxa dos títulos a 10 anos nos dias de hoje ainda é muito alta: cerca de 10%).

As  felicitações apresentadas tanto pelo FMI como pela União Europeia em Abril último   (“a execução das reformas acordadas está a progredir bem”), obviamente, não são respostas satisfatórias. Portugal, o “bom aluno do FMI” (um país cujo PIB é de aproximadamente 2,3% do PIB da zona euro) enfrenta de facto um crescimento muito fraco e depara-se com os níveis de desemprego alcançados a serem muitíssimo  preocupantes: 15% em 2012 (é  superior a 35% entre os jovens com idades entre 15-34). E isto quando o FMI  acaba de apresentar publicamente que se enganou, (declaração do economista-chefe no  início de Janeiro-**),  que os   seus  ‘modelos’ não tiveram  suficientemente em conta o impacto das  medidas da austeridade sobre o  crescimento económico: é mais que tempo!

 Jean-Pierre Moussy, Portugal : avec les compliments du FMI !, disponível no site Sauvons l’Europe, cujo endereço é :
http://www.sauvonsleurope.eu/portugal-avec-les-compliments-du-fmi/

Jean-Pierre Moussy est   Conseiller honoraire du Conseil Economique, Social et Environnemental français.

(*) : 52  mil milhões  para a UE e de que  26 são ao título do MEEF  « Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira  » e  outros  26  mil milhões a título de ajuda do FMI. .

(**) Olivier Blanchard (Economista-chefe do FMI )  reconheceu a  4 Janeiro que o FMI se tinha enganado:   os modelos do FMI tinham sub-estimado os efeitos  recessivos dos cortes   das despesas públicas  e particularmente   do impacto  do desemprego  e a baixa   da procura  interna associada às políticas de saneamento orçamental.

No plano técnico,  os  modelos dos economistas de  Washington utilizaram o valor de 0,5 para o chamado “multiplicador  orçamental”: uma diminuição das despesas públicas de 10 mil milhões de euros deveria  reduzir o PIB em 5 mil milhões apenas.  Na realidade – segundo Xavier Timbeau do organismo  OFCE – estes multiplicadores são muito mais importantes e na ordem  de 1,5 e até mesmo superior a 2, em certos casos: Esta é uma uma “descoberta técnica”  um pouco tardia para as populações da Grécia, da Irlanda e de  Portugal.

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