EDITORIAL – The show must go on

Imagem2O mundo da política e o do espectáculo, misturam-se de uma forma que torna duas actividades que deviam funcionar autonomamente num todo indissociável.  Não se trata de um fenómeno nacional, mas sim de uma realidade global. Berlusconi é um actor da tragicomédia italiana e europeia; Sarkozy e Carla Bruni simbolizaram de maneira clara essa mistura de universos – dois rios que confluem numa mesma foz – o espectáculo.

A notícia de que José Sócrates vai ser comentador na RTP está a levantar ondas de indignação, milharesImagem1 de assinaturas numa petição que resulta da repulsa quase generalizada que a figura do ex-primeiro ministro provoca na opinião pública. Por seu turno, noutro canal televisivo, Manuela Ferreira Leite voltará a comentar a actualidade. Naturalmente que, pelo exemplo que deram da sua prática política, são pessoas que não têm condições morais para apreciar os factos da vida nacional. Porque, presumimos, nem Sócrates irá fazer comentários sobre futebol ou crítica literária, nem Manuela Ferreira Leite se ocupará de um programa de culinária. A lógica que conduz a estas contratações é a que presidia ao das atracções de circo, onde anomalias físicas eram exploradas – o homem-macaco, a mulher-barbuda, levavam o público, num misto de terror e curiosidade,  ao espectáculo. Do mesmo modo, Sócrates terá elevados índices de audiência – porque toda a gente, mesmo quem se manifestou contra, vai querer saber se ele terá o desplante de querer indicar caminhos para a governação. De apontar erros e (quem sabe?) sugerir soluções.  Mas, pensando bem, que direito tem Marcelo Rebelo de Sousa de, com o sua sapiência manhosa, dizer o que está certo ou o que está errado? Que provas de sucesso nos deu como político que agora o creditem como politólogo? Que direito tem Belmiro de Azevedo de, com ar pesporrente, armar em guru e criticar políticos que mais não fazem do que ajudá-lo nos seus negócios? Como se atreve Relvas a ir a uma coisa chamada “Clube dos Pensadores” e a tentar justificar o que é injustificável? O caso de Sócrates poderá ser mais evidente e escandaloso, mas não é único.

A contratação de Sócrates para um serviço público de televisão pago com o dinheiro dos nossos impostos, é uma imoralidade? Sem dúvida. Mais uma a juntar a tantas outras. Exigências do espectáculo!…

1 Comment

  1. Surpreendente o aparecimento de Scrates para no dizer vergonhoso -vamos ficar impvidos e serenos ?J circula uma petio contra este “comentador ” -quem deve sentir-se vingado ,certamente o Relvas .Quem sabe se no foi o autor do “comentador ” non name ….? Maria S

    No dia 23 de Maro de 2013 12 11:01, A Viagem dos Argonautas escreveu:

    > ** > carlosloures posted: “O mundo da poltica e o do espectculo, > misturam-se de uma forma que torna duas actividades que deviam funcionar > autonomamente num todo indissocivel. No se trata de um fenmeno > nacional, mas sim de uma realidade global. Berlusconi um actor da > tragico”

Leave a Reply