Ele começou a trabalhar para uma agência de publicidade. Depois, com ilustrações para a revista “Tintin”, onde cedo começou a fazer “curtas” de quatro pranchas. Parte destas
“curtas” foram reunidas no álbum “C’Étaient des Hommes” (Ed. Deligne), hoje muito difícil de ser encontrado, sendo já portanto, uma admirável raridade.
Em 1964, com argumentos de Yves Duval, inicia a série “Howard Flynn”, de certo modo, no ambiente dos corsários. No ano seguinte, com argumentos de Louis Albert (aliás, Greg), aborda pela primeira vez o “western”, com a curta série “Ringo”. Em 1967, também com textos de Greg, inicia “curtas” com outro dos seus mais famosos heróis, Bruno Brazil (onze álbuns), que dará origem a narrativas longas e que se caracteriza pela invulgaridade que, a pouco e pouco, alguns personagens do Comando Caimão (chefiados por Bruno Brazil) vão morrendo, o que marca a posição atenta de que não são só os “maus” que morrem…
Neste entretém de tempo, elabora também várias aventuras de Bob Morane (do escritor Henri Vernes), substituindo o seu colega Gérard Forton, acontecendo que, em 1979, é ocunhado de Vance, o espanhol Felicisimo Coria que prossegue, até hoje, com Morane. E, ainda neste período, Vance elabora capas para as aventuras de Luc Orient, maravilhosamente desenhadas por Eddy Paape.
E ainda por este tempo, Vance, atreve-se à ficção-científica com “XHG-C3”, que é algo de inesperado e de espantoso na sua qualidade!
Genial e incansável, Vance, prossegue com mais duas séries de luxo: “Rodéric” e “Ramiro”, sendo que esta segunda, é uma série que lhe é bem querida, pois situa-se no seu país de adopção, a Espanha. Por falta de tempo, parou com ela, ao fim de nove narrativas, constando que existe uma ainda inédita…

Em 1976, criou o personagem Bruce J. Hawker, que a partir da quarta aventura, passou a ter André-Paul Duchatêau como argumentista. Bruce Hawker e Howard Flynn, até certo ponto, são séries paralelas mas, de qualquer modo, galvanizantes.
Acabou?… Não, de modo algum! Em 1991, mas apenas para dois álbuns, Vance desenha com o seu exemplar talento, duas narrativas da série “Marshal Blueberry” (um herói criado por outro “monstro”, Jean Giraud).
Mas, alguns anos antes, com argumentos de Jean Van Hamme (olha quem?!…), já dera início à fabulosa série XIII, que até deu num filme infeliz que a RTP 1 já exibiu…
Depois, XIII e Vance, pararam! A “Madame Parkinson” apunhalou-os e a nós todos… A obra imensa e diversificada (até com umas raríssimas escapadelas pelo campo humorístico) deste “monstro sagrado da BD” nunca foi correctamente levada com consideração e respeito, em publicações em Portugal, tanto por periódicos como pelas devidas editoras, donde se conclui que, cada vez mais, não passamos de um país demente e de obtusos…
Paciência, que Fátima já não faz milagres!
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| Ringo: o “western” também foi tema trabalhado por Vance |
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| Bob Morane, segundo William Vance |
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| Prancha de “Ramiro” |