Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Espanha um perigoso « krach » demográfico
/Mathieu de Taillac, Le Figaro
Desde 2008, enquanto que o número de desempregados continua a aumentar, a fertilidade espanhola diminuiu continuamente. Em Espanha, a coincidência salta à vista. Entre 2000 e 2008, a taxa de fertilidade espanhola aumentou regularmente, de 1,2 a 1,4 filhos por mulher. Depois, em 2008, o movimento de repente inverte-se e a curva desce até 1.3 em 2011. Ora, 2008 marca justamente o início da crise económica. Desde então, o número de desempregados continua a aumentar e a fertilidade espanhola continua a diminuir. Os números globais dos nascimentos vão na mesma direcção. Em 2011, houve 470.553 recém-nascidos e estes representavam uma queda de 3% sobre 2010 e até mesmo de 9,2% em comparação com 2008, segundo o Instituto Nacional de estatística (INE).
Para lá dessa coincidência das curvas, haverá aqui uma relação de causa a efeito? De acordo com uma pesquisa recente, 70% dos espanhóis confirmam ter retardado a concepção de uma criança devido ao ambiente económico. Da mesma forma, 80% das mulheres e 56% dos homens consideram que a crise afectou o número de filhos que desejam ter.
Para David Devolder, investigador do Centre d’Estudis de Barcelona Demografics, a depressão é “uma causa possível para o declínio da fertilidade”. ” Face aos problemas económicos, ao desemprego e à incerteza, as pessoas esperam um ano melhor da mesma forma que eles atrasam por exemplo, comprar um carro,” explicou.
Subsído ao nascimento sacrificado
Não existe na Espanha amortecedores sociais, que, noutros países, permitem evitar que a crise económica arraste de forma imediata uma queda da população. De acordo com um estudo da Fundação RedMadre – uma associação pro-natalidade e contra o aborto-, a Espanha aparece na cauda de 24 países europeus em matérias de dias de dispensa por parto, em matéria de abono de família ou de lugares em creches e em instituições de tempos livres..
O tímido gesto de apoio à natalidade de Zapatero em 2007 era um subsídio de 2500 euros (…)

