REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Os trabalhadores de “Mittal”  impedidos de se manifestarem em Strasbourg, um texto da Reuters

Arcelor-Mittal - VIReuters/Reuters – Várias centenas  de assalariados de ArcelorMittal  vindos de  Florange e de Liège tentaram em vão manifestar-se  diante do Parlamento europeu a que a Polícia interditava o acesso , confirma a Reuters

Escaramuças com as forças da  segurança  fizeram doze feridos entre a polícia e  também dois feridos entre os manifestantes que destruíram  elementos do  mobiliário urbano, de acordo com a prefeitura do Bas-Rhin  que comunicou  várias detenções.

A polícia utilizou gás lacrimogéneo e fez quatro disparos de flash ball, disse a mesma fonte.

Os trabalhadores das siderurgias s tinham vindo pedir à Europa para agir de modo a evitar o encerramento de instalações fabris que devem levar à supressão de  630 empregos em  França e à  de cerca de 2.300 na Bélgica  .

Os 20 autocarros que partiram da Bélgica foram bloqueados na estrada pelas forças da ordem para serem revistados  rigorosamente e só uma   minoria deles conseguiram chegar a  Strasbourg.

A manifestação não tinha sido objecto de uma declaração de acordo com a prefeitura, que especifica que a revista passada foi feita sob a ordem do procurador da República, tendo em conta a violência que ocorreu na Bélgica, no dia 29 de Janeiro.

A polícia apreendeu um dispositivo de  furar os tímpanos e 12 pastilhas de explosivos, duas  botijas  de gás, uma granada caseira de esferas,  40 kg de parafusos de tamanho  grande e sucata de ferro cortante,  66 bombas de fumo  e  147  grandes petardos  assim como muitas latas de tinta ou ampolas  cheias de tinta.

“CORAGEM   POLITICA”

Os dois autocarros   cheios de trabalhadores franceses das siderurgias que terão sido sujeitos à  mesma vistoria minuciosa  puderam ainda alcançar  a capital da Alsácia com uma  parte dos belgas, mas os  seus ocupantes  ficaram acantonados pela polícia na praça  Adrien Zeller, a várias centenas de metros do Parlamento Europeu.

“Tomam-nos realmente por terroristas”, disse à Reuters Antoine Tomei, do Sindicato belga FGTB.

Uma delegação de sindicalistas foi  recebida  no período da tarde no Parlamento Europeu.

“Nós queremos que a União Europeia tome  disposições para proteger a indústria siderúrgica na Europa”, disse à Reuters René Wozniak, sindicalista aposentado da FGTB.

” Os eleitos devem  mostrar  coragem política para poder colocar os poderes financeiros  em ordem ” disse Antoine Tomei.

Arcelor-Mittal - VII

Em Florange, um acordo assinado em Dezembro entre o governo e a ArcelorMittal prevê o encerramento, no final de Março,  de dois altos-fornos, com investimento nas  actividades de laminagem.

O grupo siderúrgico anunciou também no final de Janeiro o encerramento  de uma fábrica de coque e de  seis linhas de produção em Liège, na Bélgica, uma decisão que se acrescenta à dos dois  altos-fornos e fundição anunciada em Outubro de 2011.

Gilbert Reilhac,  Sophie Louet

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