NÃO SEI O QUE DIZER-TE, 25 de ABRIL – por Paulo Ferreira da Cunha carlosloures25 de Abril de 20136 de Novembro de 2013Literatura Navegação de artigos PreviousNext Não sei o que dizer-te, 25 De abril. Já mil águas choram Tua memória rasgada E olvidada. Tua flor murcha Enxovalhada. Não sei que te diga, 25 De abril, que foste e agora No calendário sobrevives Só no calendário Na alma e em pouco mais Na memória e em pouco mais Na parca esperança que teima No fundo do vaso de Pandora. Podia enfunar velas de ode Mas sai só a melopeia De quem comemora um espetro Dando vida a sombras. O calendário tem mais 364 ou 365 dias E tu, 25, não te defendeste. Seguirás os teus irmãos Finados 5 de outubro e 1.º de dezembro? Ainda te lembras de ti, 25 De abril? Dizem alguns que é preciso outro. Mas não pode haver dois dias no mesmo dia Do calendário. Há é 364 ou 365 dias para dizer aos mesmos, Com outras caras, Que os mesmos daqui, Que sempre os haverá, Sempre terão, A 25 de abril Ou noutro dia O seu 25 de abril. Não te massacres, pois, 25 De abril: Sempre haverá na alma e na cabeça Dos que do cravo rubro O perfume aspiraram (subtil perfume de Liberdade) Um 25 de abril. Numa data qualquer Mesmo que não haja comemorações Ou que sejam usurpadas Mesmo que não seja feriado Porque os escravos têm de trabalhar Sempre E com isso ficar muito agradecidos, Mesmo que a noite tenha caído de novo, Sempre haverá claro dia para ti, caro 25 De abril. Apenas estás em mau calendário, Meu 25 de abril. Não sei que mais te diga. “Tem Esperança” é dizer pouco, Pode até ser Revoltante. É como um “Deus o favoreça” Lançado ao pedinte que quer pão E não boas palavras E excelentes intenções. Dir-te-ei outra coisa: Há sempre um 25 De abril ou de outro dia Num dia 25 ou noutro. E pode haver todos os dias abril E todos os dias serem 25. Mas meditemos: Não basta essa comemoração-outra Essa esperançazinha confortante. Não basta o bastar saber que a razão Está no nosso cravo E nosso lado (razão bem plural e bem aberta). Não basta. É precisa imaginação. A Imaginação de quem tem Grândola na voz e n’alma, Terra da Fraternidade. E eles não sabem que Grândola VIVE! Eles não sabem que nós estamos em Grândola E na Grândola que somos o calendário chama-se 25 de abril. Ilustração: Quadro de Adão Cruz Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading...
Na mesma pessoa o jurista brilhante e o poeta, poeta esse que agora nos fala da esperança de um futuro melhor que o 25 de Abril em nós criou, futuro esse, de igualdade de oportunidades para todos, que só de nós depende para que possa: (…) haver todos os dias abril E todos os dias serem 25. Abraço solidário do António Loading... Responder
Na mesma pessoa o jurista brilhante e o poeta, poeta esse que agora nos fala da esperança de um futuro melhor que o 25 de Abril em nós criou, futuro esse, de igualdade de oportunidades para todos, que só de nós depende para que possa:
(…) haver todos os dias abril
E todos os dias serem 25.
Abraço solidário do
António