UM LIVRO DE RUI ZINK : “A INSTALAÇÃO DO MEDO” – por Clara Castilho

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Rui Zink, escritor, ensaísta e professor universitário, é, para além de outro tipo de considerações,  um dos maisImagem1 bem sucedidos autores portugueses – obras como Hotel Lusitano (1987), A Realidade Agora a Cores (1988), Homens-Aranhas (1994), Apocalipse Nau (1996), O Suplente (1999), Os Surfistas (2001), O Anibaleitor (2006) e A Instalação do Medo (2012), têm obtido uma grande receptividade junto do público. Clara Castilho dá-nos contas da sua leitura de A Instalação do Medo.

“Dois homens batem à porta – Bom dia, minha senhora, viemos para instalar o medo. E, vai ver, é uma categoria”. Estará a acontecer o mesmo?

Sobre este livro escreveu Inês Pedrosa, no Suplemento Revista 2 do Público (9.12.2012) recomendando-o entre obras de Eduardo Lourenço, Jean Baudrillard e Giorgio Agamben. E alerta: “O riso tem vindo a tornar-se um sucedâneo do medo, em vez do seu mais feroz antídoto”.Imagem1

Dando a voz a Yvette Centeno

(http://literaturaearte.blogspot.pt/2012/10/rui-zink-instalacao-do-medo.html): “Sempre gostei da inteligência irreverente, porque segura de si: do que sabe e do que ainda vai desejar saber, no decurso da vida. É a boa atitude de livre independência, nada tem a ver com a autocomplacência imbecil dos ignorantes.

(…). Tive, ao ler A Instalação do Medo, a mesma emoção feita de espanto causada pela leitura de O Processo, de Kafka. (…) Mais do que este medo que se anuncia porta a porta e se instala, de modo viral, incontornável, a descrição de situações com que deparamos dia a dia em destaque na net, nos jornais, na rua, -por todo o lado: a da indiferença perante o outro, despido da sua humanidade, como os judeus o foram outrora, de modo sistemático como nunca se vira até ao tremendo momento da “solução final. (…)

Este medo descrito, de diversas maneiras, é próximo parente dessa ideia de alguma solução final, agora modernizada e mais adequada ao que se julga ser de imediato mais útil: empobrecer, em vez de matar logo. Pois a promoção da pobreza, física, mental, moral – matará tanto ou mais do que as câmaras que consumiram os corpos mas acabaram por elevar as almas: hoje a consciência do Holocausto é mais viva e o apelo a que nunca mais se repita fala alto.

O medo fala baixinho, por isso se tornou em arma melhor escolhida, mais fácil de espalhar e mais actuante: medo e silêncio coabitam nas almas enfraquecidas (…) Nesta obra, Rui Zink deixa um grande fresco da nossa sociedade portuguesa e não só, pelo nosso exemplo passa a nova realidade que no mundo se enfrenta : e escusado será dizer, é uma realidade que ele, pela ironia crua nos convoca a combater”.

                       

No blog Ars Integrata,( http://arsintegrata.blogspot.pt/) escreveram: “Trata-se de uma obra que escapa às habituais categorias literárias, acima de tudo a do romance, podendo talvez definir-se como um mix de ensaio e conto, uma espécie de ficção-filosófica hiperrealista que reflecte sobre ”A instalação do medo“, uma das poderosas dominantes da dita “crise” actual. Mas, mais do que ensinar o caminho para dele fugirmos (tentação a que, pese embora a sua qualidade de professor universitário, o autor consegue escapar), a sua trama fornece as pistas para que seja o próprio leitor a poder esconjurá-lo como primeiro passo, mas fundamental, para devolver a “crise” àqueles que a têm vindo a alimentar. Trata-se, pois de um instrumento de auto-ajuda que recomendamos vivamente. Um contraponto ao manual de bolso de parte significativa da chamada “classe política”, que é como todos sabemos e sentimos na carne, O Príncipe, de Niccolò Machiavelli (1469-1527)”.

No blog Clube dos Leitores, (http://www.blogclubedeleitores.com/2012/12/rui-zink-em-entrevista.html) em entrevista, Rui Zink diz: “ Um livro é um livro. A sua função primeira é entreter. Mas, por vezes, uma pessoa descobre que, complicando a vida ao leitor, serve melhor o leitor. Com o risco de o leitor ir buscar autores mais amáveis. Mais amáveis serão… mas não o amam tanto. Mal comparado, é como com os filhos: fazer as vontadezinhas faz de nós melhores pais?”

Espero ter-vos aberto o apetite. O livro é da nova editora de Carlos Veiga Ferreira, a Teodolito. É pequeno, cabe na carteira ou no bolso. Mas isso não é preciso pois, quando começarem a ler, não conseguirão parar… Incomodados, mas desafiados. Cabe aos escritores e aos poetas transformarem em palavras nos nossos sentimentos. Obrigado, Rui.

Para ver entrevista do autor:

http://www.youtube.com/watch?v=Hk6MLNsyQT4

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