OLHA O COLESTEROL! – por Adão Cruz

Há muitos anos que eu procuro o melhor discernimento sobre esta e outras matérias. Não é fácil, porque somos bombardeados com centenas de estudos, a meu ver nem sempre credíveis, apesar de serem impostos como as tábuas de Moisés. Além disso, toda a investigação e exploração que sustenta os interesses económicos é mais ou menos perversa, em alguns casos escandalosa e desumanamente perversa, a despeito de se apresentar com a mais humanista e humanitária das caras.

Todos conhecemos casos destes, especialmente nos dias de hoje. Não duvido da existência desta perversão em qualquer campo, neste caso da própria medicina e dos interesses consumistas que ela gera. Há mais de trinta anos que falo e escrevo sobre a iatrogenia médica, seja ela medicamentosa, social ou económica. Sempre considerei os remédios muito perigosos, ainda que muitos deles sejam muito benéficos e quase milagrosos.

Mas o exagero do consumo, imposto pelos interesses dos produtores, pela incompetência e pela ausência de bom-senso, pode ser francamente nocivo. Os efeitos laterais e secundários dos medicamentos são muito complexos, por vezes difíceis de diagnosticar,  e por vezes muito perigosos e até mortais, sobretudo nos dias de hoje em que a polimedicação e as comorbilidades são “mato”. O caso do colesterol é francamente controverso. Sou daqueles que sempre desconfiaram das certezas que nos impõem, sobretudo tratando-se de uma infindável mina de ouro. A não acautelada moda do colesterol, não acautelada por quem, como nós, tem uma grande responsabilidade, expandindo-se acriticamente como a moda da mini-saia, é de uma grande incompetência e perversão. Um grande debate sobre a verdade e a mentira destas coisas deveria ser uma exigência universal.

Quanto a mim, sempre prescrevi e prescrevo, cuidadosamente, as Estatinas, na prevenção secundária, e na prevenção primária quando existe um importante contexto de risco. Fora disso, de uma maneira geral, a não ser em casos especiais, não uso, mesmo com valores “elevados”. Entre alguns dos meus colegas, não todos, mais papistas do que o papa e de alguma maneira fundamentalistas, isto pode ser considerado errado. Tenho de ter sempre muito cuidado deontológico no aconselhamento e na explicação aos meus doentes. Mas tenho uma experiência de quarenta anos, com milhares de doentes que me passaram pelas mãos, e julgo, com a consciência que me é possível, que, com esta forma de agir só os tenho beneficiado. No passado, os valores ditos normais do colesterol eram bastante mais elevados do que hoje, e não acredito que a natureza estivesse errada. Eu próprio sempre tive valores “elevados” de colesterol.

Adão Cruz

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