Vejam:
http://www.publico.pt/mundo/noticia/morreu-giulio-andreotti-o-divino-1593481
Segunda-feira passada, aos 94 anos, morreu em Roma Giulio Andreotti, chamado o divino pelos italianos, parece que para o compararem com César. Foi sete vezes primeiro ministro de Itália e vinte vezes ministro, de diferentes pastas, desde os Negócios Estrangeiros à Indústria e à Cultura. Lê-se nas notícias que em Roma há quem garanta que ele volta dentro em breve à vida, depois de fazer umas negociações, não se sabe se no céu ou no inferno.
Transcrevemos do Público (ver link acima) uma citação de La Stampa: “Em mais de meio século de vida pública, mais do que qualquer outro governante, Giulio Andreotti foi identificado como símbolo de um poder que nasce e se alimenta na zona de sombra”. Pois, para usar uma frase convencional, ele andou toda a vida na política, até morrer (era senador vitalício desde 1991 por nomeação presidencial). Católico desde sempre, foi líder da ala direita da Democracia Cristã até à sua dissolução após o processo Mãos Limpas. Levado a tribunal, foi provada a sua ligação à Mafia e participação em diversos crimes, mas beneficiou da imunidade inerente à sua condição de senador vitalício. Terá ficado provada a sua participação no assassinato do jornalista Mino Pecorelli, o que lhe teria valido 24 anos de prisão, se não fosse a referida imunidade.
Foi sem dúvida o político mais proeminente de Itália, na segunda metade do século XX. Ao analisar a sua carreira, mesmo alguém que não tenha um conhecimento muito profundo da realidade italiana tem a possibilidade de compreender, entre outras coisas, como é que um homem como Silvio Berlusconi chegou a primeiro ministro de um país tão civilizado e desenvolvido como a Itália. Por outro lado, poderá também perceber o perigo que constitui para a democracia e mesmo para o bem-estar dos cidadãos a existência de gigantescas máquinas partidárias, pouco transparentes e controladas por políticos ansiosos pelo poder e profissionais pouco escrupulosos.

