Pentacórdio para Domingo, 12 de Maio

por Rui Oliveira

 

 

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   No Domingo, 12 de Maio, a atenção volta-se sem dúvida para a Fundação Calouste Gulbenkian onde a Accademia del Piacere apresenta dois programas.

 fahmi alqhai  Liderada por Fahmi Alqhai (foto), um espanhol filho de pai sírio e mãe palestiniana que, duma infância vivida no Próximo Oriente, veio formar-se em viola da gamba em Sevilha, a Accademia foi fundada em 2004 e possui uma formação variável (desde o trio à pequena orquestra de câmara). O foco do seu repertório começou por incidir na música antiga espanhola, mas em breve se alargou à música italiana do início do século XVII, à música religiosa da Espanha, renascentista ou barroca andaluz ou mesmo à música da corte de Luis XIV, o Rei Sol francês – foco do primeiro concerto de hoje (Domingo).

   Assim, às 16h, no palco do Grande Auditório da Fundação estarão Fahmi Alqhai  (viola da gamba), Miguel Rincón (tiorba e viola barroca) e Rami Alqhai (viola da gamba) para um recital a que deram o título “Les Violes du Ciel et de l’Enfer” que integra obras de dois compositores que as elaboraram especificamente para a corte de Luís XIV, Marin Marais e Antoine Forqueray.

   A 1ª parte Marin Marais (1656-1728): Pièces de viole avec la Basse Continuë compreende :

   –  Marche Tartare  (Allemande la Superbe, La Reveuse, L’Arabesque)

   –  Marche Persane dite la Savigny  (Sarabande Grave -IIIème Livre, Les Voix Humaines, La Guitare)

   A 2ª parte Antoine Forqueray (1671-1745): Pièces de viole avec la Basse Continuë inclui :

       La Laborde, La Portugaise, Chaconne (Robert de Visée, ca. 1655 – ca. 1733), La Rameau, La Jupiter

 

   Mostramos-lhe aquela Sarabande Grave do IIIème Livre de Marin Marais interpretada em Julho de 2007 em Aracena (Espanha) pela formação da “Accademia del Piacere” deste concerto acrescida de Alberto Martínez Molina viola da gamba [para continuar e ouvir tambem L’Arabesque clique aqui  http://youtu.be/NzRrOfkU8mc  ] ; caso o leitor pretenda ouvir La Jupiter de Antoine Forqueray pela Accademia del Piacere (embora sem Fahmi Alqhai) clique aqui  http://youtu.be/Ks4I0ksk8LA  :

 

 

 

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   O segundo programa da tarde mostra outra faceta da actividade da Accademia del Piacere onde (segundo o programa) o espírito criativo de Fahmi Alqhai e dos seus músicos se debruçam sobre “os domínios inexplorados resultantes da era dos Descobrimentos, onde o intercâmbio cultural patrocinado pelas viagens marítimas entre a Península Ibérica e as colónias de Espanha, nomeadamente de e para o Novo Mundo, permitira o florescimento de uma verdadeira mestiçagem musical”.

   No palco do Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, vai estar uma formação ampla da “Accademia del Piacere” constituida por Fahmi Alqhai (viola da gamba e direcção), Rami Alqhai (viola da gamba), Johanna Rose (viola da gamba), Miguel Rincón (viola barroca), Miguel Angel Cortés (viola de flamenco), Agustín Diassera (percussão de flamenco), Vicente Parrilla (percussão), Arcángel (cantor de flamenco) e Mariví Blasco (soprano) para um programa de obras populares, todas com arranjos de Fahmi Alqhai, que representam “a música barroca colonial em diálogo com o Flamenco”.

   Chamaram ao espectáculo “Las idas y las vueltas: música mestizas” e nele se incluem :

      − Las tierras & las raíces (Improvisación sobre La Spagna, Toná, Romance del Rey Moro, Las morillas de Jaén & Jaleos)

      − Músicas mestizas  (Folías, Vidalita, Siguiriya)

      − Las danzas  (Alegrías de Cádiz, Marionas & Canarios, Xácaras & Bulerías, Guaracha & Guajira)

 

   É este o registo integral dum concerto semelhante dado pela “Accademia del Piacere” :

 

 

 

 

cartaz Sérgio Charrinho e OML   O outro evento mais significativo deste Domingo, 12 de Maio, verifica-se no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 17h, onde se apresenta a Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida pelo maestro Pedro Neves a par do solista seu membro Sérgio Charrinho  trompete.

   O programa do concerto compreende : 

      Wolfgang Amadeus Mozart  Sinfonia n.º 35, “Haffner”

      Johann Nepomuk Hummel  Concerto para Trompete e Orquestra

      Joseph Haydn  Sinfonia n.º 83, “A Galinha”

 

sérgio charrinho classicosrua2   Segundo o texto do programa divulgado, pretende-se chamar a atenção sobre a segunda peça do concerto – o Concerto para Trompete e Orquestra de Hummel , estreado no banquete de Ano Novo de 1804 na corte imperial de Viena, tocado por Weidinger, um extraordinário virtuoso do trompete na época. Hoje quase desconhecido e pouco tocado, aquele compositor austríaco  – que foi aluno de Mozart e sucedeu a Haydn na corte de Esterházy  – gozava de enorme reconhecimento europeu. Daí a lógica da inclusão das sinfonias de Mozart e de Haydn «que revelam estreitas afinidades com a partitura de Hummel, na qual é possível reconhecer alguns motivos musicais emprestados das sinfonias daqueles grandes mestres do classicismo musical».

   Para satisfazer a curiosidade dos leitores, mostramos-lhe a primeira gravação integral feita em 1963 daquele Concerto para Trompete e Orquestra pelo “Boston Chamber Ensemble” dirigido por Pierre Monteux, sendo trompetista Armando Ghitalla :

 

 

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   Por último, sugerimos aos leitores presentes nesse concerto no CCB (e todos os restantes interessados) que visitem, ali a dois passos, no Museu Colecção Berardo com entrada gratuita todos os dias, a exposição dos finalistas do concurso BES Photo 2013, que ali permanece até 2 de Junho.

   Nas palavras do director do Museu, «… desde a sua primeira edição em 2004, o BES Photo afirmou-se como um dos mais prestigiantes prémios de arte contemporânea atribuídos a artistas de nacionalidade portuguesa e, a partir de 2011, dos restantes países lusófonos, ganhando notoriedade pela qualidade dos trabalhos expostos e projectando-se por mérito dos artistas premiados nas edições anteriores – Helena Almeida, José Luís Neto, Daniel Blaufuks, Miguel Soares, Edgar Martins, Filipa César, Manuela Marques e Mauro Pinto.

   Tendo um júri internacional de selecção proposto para a exposição e prémio de 2013 os artistas Albano Silva Pereira (cima,ao centro) (Portugal), Filipe Branquinho (cima,à esq.) (Moçambique), Pedro Motta (em baixo) e Sofia Borges (cima,à dir.) (ambos do Brasil), o júri de premiação, também internacional, constituído pelo escritor Geoff Dyer, o professor Luc Sante e a crítica de arte Rosa Olivares escolheu como vencedor da nona edição do BES Photo o fotógrafo Pedro Motta (foto).      

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(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui)

 

 

 

 

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