MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO NASCEU EM 19 DE MAIO

O escritor Mário de Sá-Carneiro, que nasceu em Lisboa no dia 19 de Maio de 1890, foi uma das mais importantes vozes da correnteImagem1 modernista, movimento que teve na edição da revista Orpheu um dos seus mais significativos marcos. Tudo está dito sobre este grande poeta e não vamos perder tempo em banalidades. Suicidou-se em Paris, no dia 26 de Abril de 1916.

Vamos aqui recordar a carta de despedida que deixou para Fernando Pessoa:

Mário de Sá-Carneiro, carta para Fernando Pessoa

Meu querido Amigo.

A menos de um milagre na próxima segunda-feira, 3 (ou mesmo na véspera), o seu Mário de Sá-Carneiro tomará uma forte dose de estricnina e desaparecerá deste mundo. É assim tal e qual – mas custa-me tanto a escrever esta carta pelo ridículo que sempre encontrei nas «cartas de despedida»… Não vale a pena lastimar-me, meu querido Fernando: afinal tenho o que quero: o que tanto sempre quis – e eu, em verdade, já não fazia nada por aqui… Já dera o que tinha a dar. Eu não me mato por coisa nenhuma: eu mato-me porque me coloquei pelas circunstâncias – ou melhor: fui colocado por elas, numa áurea temeridade – numa situação para a qual, a meus olhos, não há outra saída. Antes assim. É a única maneira de fazer o que devo fazer. Vivo há quinze dias uma vida como sempre sonhei: tive tudo durante eles: realizada a parte sexual, enfim, da minha obra – vivido o histerismo do seu ópio, as luas zebradas, os mosqueiros roxos  da sua Ilusão.

 Podia ser feliz mais tempo, tudo me corre, psicologicamente às mil maravilhas, mas não tenho dinheiro. […]

Fernando  Pessoa dedicou a Mário de Sá-Carneiro um texto de grande elevação, citando  um aforismo das Báquides de Plauto: «Morre jovem o que os Deuses amam» (tradução literal de Quem di diligunt adulescens moritur).

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