Aproxima-se o dia 20 de Maio. Mais uma data no nosso calendário? Bem… sim e não!
Vejamos: em 20 de Maio de 2002, tornava-se Timor-Leste independente. Era o culminar de algo que parecia impossível. Quem iria imaginar que uma nação poderosa como a Indonésia, com apoios internacionais, incluindo europeus, tão vastos, acabaria por conceder a independência a um pequeno território, situado quase dentro de si?
Na verdade, já antes havia evidências de que a força bruta não tinha aniquilado o querer do povo local. A Fretilin, movimento de libertação, ainda resistia.
A crise na Ásia enfraqueceu a ditadura indonésia. E foi possível, com a força da opinião pública, impressionada aliás com as imagens do massacre de Santa Cruz, levar Jacarta a aceitar um referendo. Depois de algumas contrariedades, a que não faltou o terror exercido pelos vencidos pela voz popular, lá se foi caminhando para a independência. Proclamada e aceite por todos. Em 20 de Maio de 2002.
Mas… não é apenas este vinte de Maio que marca a História de Portugal. Há um outro, mais remoto. Na verdade, foi em 20 de Maio de 1801 que o exército espanhol ocupou Olivença, dando início a um longo período de História em que ocorreram variadas peripécias. A mais importante é o facto de, desde 1815, Portugal considerar que a ocupação espanhola era ilegal. Até hoje. Ao ponto de, em 1968, Portugal e Espanha assinarem um acordo, ainda em vigor, e que viabiliza a exploração das águas do Alqueva, pelo qual as dias margens do Guadiana são consideradas portuguesas… tudo isto, claro, porque a questão de definição de fronteiras na região permanece, para Portugal, e por causa de Olivença, em aberto!!
Tanto quanto sei, a cultura e a História portuguesa e de Portugal sofreram um processo de alienação e de esquecimento nos últimos duzentos anos em Olivença. Mas (e isso saiu em jornais), há uns quatro anos que um grupo oliventino se tem manifestado pela recuperação da sua antiga cultura lusitana, deixando de lado a discussão da soberania. Queixa-se de que Portugal parece tê-los esquecido, aos oliventinos. E guardei mesmo um texto em que se citavam declarações de gente desse grupo à televisão portuguesa (não recordo que Canal!). Lê-se, nesse texto (e passo a citar): «Jornadas que fazemos anualmente, e que se chamam Lusofonias (…).Mas acontece que da parte portuguesa não temos resposta (…). O sentimento, os antepassados… e se andamos nós a propagar a Língua portuguesa (…) que espalhámos pelo Mundo,..aqui, a meia dúzia de quilómetros… não sei do que é que estão à espera! Macau está longe, Timor esteve longe. Foram 25 anos de luta. E Olivença, quê?»
Creio que há aqui algo de errado. Estes oliventinos (que, segundo o mesmo texto, até estão a pedir a nacionalidade portuguesa, em complemento à sua, espanhola) Não querem saber de política. Queixam-se de desprezo cultural. Mas, muito claramente, citam o caso de Timor, como exemplo de uma luta lusófona!
Proponho, pois, que a data de 20 de Maio passe a ser também a data em que se recorde Olivença, e a luta cultural que aí se desenrola, livremente exercida e amplamente divulgada nos órgãos de comunicação portugueses.
Ou será que os portugueses têm medo de apoiar quem usa a fala lusa junto a si, mas não o tiveram para apoiar uma causa lusófona a 30 000 quilómetros de distância?
Maus senhores da imprensa e da Cultura, assumam as vossas responsabilidades. E não queiram ficar na História pelos piores motivos…
Estremoz, 16 de Maio de 2013
Carlos Eduardo da Cruz Luna
RESPEITEM O VINTE DE MAIO!!!!
Aproxima-se o dia 20 de Maio. Mais uma data no nosso calendário? Bem… sim e não!
Vejamos: em 20 de Maio de 2002, tornava-se Timor-Leste independente. Era o culminar de algo que parecia impossível. Quem iria imaginar que uma nação poderosa como a Indonésia, com apoios internacionais, incluindo europeus, tão vastos, acabaria por conceder a independência a um pequeno território, situado quase dentro de si?
Na verdade, já antes havia evidências de que a força bruta não tinha aniquilado o querer do povo local. A Fretilin, movimento de libertação, ainda resistia.
A crise na Ásia enfraqueceu a ditadura indonésia. E foi possível, com a força da opinião pública, impressionada aliás com as imagens do massacre de Santa Cruz, levar Jacarta a aceitar um referendo. Depois de algumas contrariedades, a que não faltou o terror exercido pelos vencidos pela voz popular, lá se foi caminhando para a independência. Proclamada e aceite por todos. Em 20 de Maio de 2002.
Mas… não é apenas este vinte de Maio que marca a História de Portugal. Há um outro, mais remoto. Na verdade, foi em 20 de Maio de 1801 que o exército espanhol ocupou Olivença, dando início a um longo período de História em que ocorreram variadas peripécias. A mais importante é o facto de, desde 1815, Portugal considerar que a ocupação espanhola era ilegal. Até hoje. Ao ponto de, em 1968, Portugal e Espanha assinarem um acordo, ainda em vigor, e que viabiliza a exploração das águas do Alqueva, pelo qual as dias margens do Guadiana são consideradas portuguesas… tudo isto, claro, porque a questão de definição de fronteiras na região permanece, para Portugal, e por causa de Olivença, em aberto!!
Tanto quanto sei, a cultura e a História portuguesa e de Portugal sofreram um processo de alienação e de esquecimento nos últimos duzentos anos em Olivença. Mas (e isso saiu em jornais), há uns quatro anos que um grupo oliventino se tem manifestado pela recuperação da sua antiga cultura lusitana, deixando de lado a discussão da soberania. Queixa-se de que Portugal parece tê-los esquecido, aos oliventinos. E guardei mesmo um texto em que se citavam declarações de gente desse grupo à televisão portuguesa (não recordo que Canal!). Lê-se, nesse texto (e passo a citar): «Jornadas que fazemos anualmente, e que se chamam Lusofonias (…).Mas acontece que da parte portuguesa não temos resposta (…). O sentimento, os antepassados… e se andamos nós a propagar a Língua portuguesa (…) que espalhámos pelo Mundo,..aqui, a meia dúzia de quilómetros… não sei do que é que estão à espera! Macau está longe, Timor esteve longe. Foram 25 anos de luta. E Olivença, quê?»
Creio que há aqui algo de errado. Estes oliventinos (que, segundo o mesmo texto, até estão a pedir a nacionalidade portuguesa, em complemento à sua, espanhola) Não querem saber de política. Queixam-se de desprezo cultural. Mas, muito claramente, citam o caso de Timor, como exemplo de uma luta lusófona!
Proponho, pois, que a data de 20 de Maio passe a ser também a data em que se recorde Olivença, e a luta cultural que aí se desenrola, livremente exercida e amplamente divulgada nos órgãos de comunicação portugueses.
Ou será que os portugueses têm medo de apoiar quem usa a fala lusa junto a si, mas não o tiveram para apoiar uma causa lusófona a 30 000 quilómetros de distância?
Maus senhores da imprensa e da Cultura, assumam as vossas responsabilidades. E não queiram ficar na História pelos piores motivos…
Estremoz, 16 de Maio de 2013
Carlos Eduardo da Cruz Luna