Parece que a maioria governamental vai pôr cá fora um decreto que estipula para as indemnizações por despedimento se passar a contar 18 dias por cada ano de trabalho (do despedido, claro) em vez de 12, como queria a troika, ao que dizem. Dizem que fizeram recuar a troika. Entretanto o Álvaro da economia vem novamente falar ser preciso baixar os impostos. Para quê? Para atrair o investimento, diz ele. Noutro plano, quem sabe o que se passou no Conselho de Estado? Não é que interesse muito, mas de qualquer modo, não andam aqueles senhores, desde o Marcelo ao Mário, do Bagão ao Passos e ao Portas, a dizer todos os dias que nos governam e a tentar fazer-nos crer que ainda vão conseguir safar-nos? E, lá nas vidinhas deles, não se vão governando mal. Mal estamos nós.
É claro que não têm solução nenhuma para nos safar, até porque não estão interessados nisso. Querem que o barco singre, com uma condição: eles continuarem ao leme. O pior é que o rebuçado das indemnizações por despedimento (pouco) melhoradas só dá para os despedidos comerem mais uns dias, pois vão continuar desempregados, a baixa dos impostos não vai trazer mais postos de trabalho, no caso do IRC só vai melhorar os saldos dos grandes grupos económicos, que são quem paga a maioria deste imposto, talvez sirva para aumentar o salário de algum administrador, e não vai criar postos de trabalhos nenhuns, nem atrair investimentos de espécie alguma. E que o Conselho de Estado só serviria para alguma coisa se os senhores fossem lá para correr com o Cavaco. Está-se mesmo a ver, não está?
Chegou-se ao ponto de a oligarquia, os 1 % da população (a portuguesa, mas não só) julgar que pode subsistir sem nós, os 99 %. Ela anda lá nas alturas, pelos seus clubes, pelos seus fóruns (não estamos a falar do Fórum Social Mundial, claro, que parece ainda não ter degenerado), pelos seus paraísos (fiscais, e não só), como se fossem um mundo à parte. Montaram um sistema de segurança muito aperfeiçoado, para manterem o status quo. A primeira coisa que temos a fazer é mostrar que não nos enganam. Logo (mas logo) a seguir é acabar com o paraíso que eles criaram para si. E não esquecer que em democracia não pode haver, nem paraísos, nem infernos. Para os amantes das imagens mitológicas, digamos assim: temos de ir melhorando este nosso purgatório. É que não temos outro, nem mesmo nos novos planetas que parece que existem nas várias galáxias.

