“A MENINA GOTINHA DE ÁGUA” DE PAPINIANO CARLOS – por Clara Castilho

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Papiniano  Carlos, grande poeta e grande figura de cidadão, morreu em Dezembro de 2012 e prestámos-lhe uma singela, mas sentida homenagem. Caminhemos Serenos é um dos mais belos poemas que se escreveram na nossa língua. A Menina Gotinha de Água, tem encantado sucessivas gerações de crianças – é deste livro que Clara Castilho nos vai falar.

Livro publicado nos anos 60 A Menina Gotinha de Água  é uma obra de literatura infantil que constitui um dos seus maiores êxitos editoriais.  Livro repetidamente reeditado ao longo dos anos, contou nas várias edições com ilustrações diversas. Vemos o ciclo da água, no essencial que representa em toda a vida, partindo do mar para a ele regressar, numa exaltação da natureza. A Gotinha de água, aparece humanizada, como uma menina traquina e divertida, levando a com ela se identificarem e a ouvirem a história com entusiasmo e repetindo certas partes.

“Era uma vez uma gotinha de água que vivia no mar sem fim.

Juntamente com as suas irmãzinhas formavam o Mar.

Um dia, a menina Gotinha de Água estava a dormir, a sonhar,…

Então o Sol beijou-a e logo ela subiu no ar.

No céu, olhou à sua volta e viu milhões de gotinhas como ela boiarem

no ar.

Vieram os ventos e começaram a empurrar aquelas nuvens e a

gotinha viajou por muitas terras…..”

gotinha de água

O seu autor é Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues (1918-2012), escritor português nascido em Moçambique e radicado no Porto desde a infância.

Apesar de ter cursos de áreas da engenharia escreveu várias obras literárias, geralmente de cariz poético, como A Ave Sobre a Cidade ou Sonhar a Terra Livre e Insubmissa, e também, para além do citado,diversos livros infanto-juvenis, como  Luisinho e as Andorinhas.

Publicou o primeiro livro em 1942, um volume de poesias intitulado Esboço. Quatro anos depois editou Estrada Nova – Caderno de Poemas, com capa de Júlio Pomar, uma obra bem acolhida pelo público, mas rapidamente apreendida pela PIDE. Naquele ano foi também publicado Terra com sede, que marca a sua estreia na ficção e que reúne alguns dos mais belos contos do neo-realismo português.

Militante do PCP, desenvolveu  actividade clandestina com o pseudónimo Garcia, em homenagem a Garcia Lorca. Foi preso três vezes pela PIDE

Da revista Notícias do Bloqueio, colaborou nas revistas Seara Nova e Vértice. Integrou os corpos dirigentes do Círculo de Cultura Teatral do Teatro Experimental do Porto.

Está representado nas Antologias Líricas Portuguesas, Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, Nueva Poesia Portuguesa, La Poésie Ibérique de Combat.

papiniano

Esta obra dá origem a muitos trabalhos escolares. Há dois anos Miguel Azguime, compositor, poeta, e percussionista, que fundou com Paula Azguime o Miso Ensemble, duo de flauta e percussão, um dos mais importantes agrupamentos portugueses de música contemporânea, levou a cena este livro.

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