A CANETA MÁGICA – EXCESSO DE INFORMAÇÃO? – por Carlos Loures

O jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano disse “A diversidade tecnológica quer significar diversidade democrática. A tecnologia põe a imagem, a palavra e a música ao alcance de todos, como nunca antes ocorrera na história humana, mas essa maravilha pode transformar-se num logro para incautos se o monopólio privado acabar por impor a ditadura da imagem única, da palavra única e da música única. Ressalvadas as excepções, que felizmente existem e não são poucas, essa pluralidade tende, em regra, a oferecer-nos milhares de possibilidades de escolher entre o mesmo e o mesmo. Como diz o jornalista argentino Ezequiel Fernández – Moore, a propósito da informação: “Estamos informados de tudo, mas não sabemos de nada”.Por seu turno, diz Umberto Eco: “O excesso de informação provoca amnésia” – O escritor italiano diz que a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio, pois não filtra o conhecimento e congestiona a memória do utilizador. O que se segue parece confirmar estas opiniões.

Quando a revista Sábado, em Novembro de 2011, publicou esta reportagem a que chamou “A ignorância dos nossos universitários”, logo pensei em dedicar um post ao tema. Fui, no entanto, desaconselhado de o publicar (por mais de uma pessoa) – “a reportagem é demagógica, salienta as respostas mais caricatas, os jovens não são todos assim, etc.” Pus o rascunho de parte. Há dias, um professor enviou-me a reportagem, recomendando a publicação. Contei-lhe o que ocorrera em Novembro de 2011 e ele teve uma opinião diferente – Há jovens de grande cultura – aliás, a reportagem frisa que 5% dos inqueridos respondeu correctamente a todas as perguntas. O que este trabalho revela é a má qualidade do Ensino e o papel deletério de uma informação que privilegia o volume em detrimento da qualidade.

Vamos ver este vídeo.

Como já disse, em Novembro de 2011, a revista SÁBADO fez um teste básico de cultura geral a 100 alunos das universidades e institutos de ensino superior de Lisboa. É um trabalho dos jornalistas André Barbosa e Tânia Pereirinha; o vídeo foi realizado por Joana Mouta e Bruno Vaz. A reportagem completa pode ser lida em

http://www.sabado.pt//Multimedia/Videos/Vox-Pop/VoxPop–A-ignorancia-dos-nossos-universitarios.aspx?id=411304.

Não se pretende demonstrar que os estudantes são burros (para usar a expressão de um dos inquiridos).. Quer-se, sim, chamar a atenção para a má qualidade de um Ensino que permite que pessoas num estado de profunda ignorância possam aceder ao patamar em que se encontram. Atente-se na arrogância com que a ignorância é justificada. Uma rapariga diz com altivez – «Eu não ligo a essas coisas». Não se pode desculpar inteiramente os jovens, pois a par destes que desprezam o saber há outros que valorizam a cultura de uma forma diferente. Nem colhe a afirmação de que nas gerações anteriores os jovens eram mais cultos. Não foi a inteligência que se degradou – foi o sistema de Ensino. Foi a própria sociedade que se degradou.

Embora, de gerações anteriores, haja políticos em cargos de responsabilidade que atribuem concertos de violinos a Chopin e que mandam mensagens de parabéns a Machado de Assis. Que confundem Thomas Mann com Thomas More ou que ignoram quantos cantos têm “Os Lusíadas”… Alguns destes jovens, se mantiverem esta postura altiva, firme e resistente face á cultura, poderão ir longe.

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