1913, ANO DE “BOA COLHEITA” PARA O PAÍS – CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE GRANDES PERSONALIDADES por clara castilho

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Já aqui falámos de João dos Santos e de Ilse Losa. O de Álvaro Cunhal, cuja bela e informativa exposição já terminou, tem sido amplamente divulgado. Mas podemos ainda falar de João Villaret, Helena Sá e Costa e Edgar Cardoso.

1913

 

Uns foram importantes pela intervenção política e orientação que ajudaram a implementar na história do país, outros pela cultura que desenvolveram e do prazer de quem os ouviu tocar ou falar, ou de quem os leu. Outros pela intervenção na área das ciências, área tão importante como as outras. Todas áreas imprescindíveis para uma vida em que cada um possam ser livre, expressar as suas ideias, usufruir de cultura de qualidade.

Seguindo por ordem alfabética, fica um breve apontamento de cada um.

ÁLVARO CUNHAL

Nascido em Coimbra, foi na Faculdade de Direito de Lisboa que estudou. A sua tese para exame do 5º ano, foi sobre “O Aborto – causas e soluções” e só em 1997 é tornada pública. Ficou conhecida. Filiado no Partido Comunista Português desde 1931, desempenhou diversos cargos. Colaborou em diversos jornais como a Seara nova e Vértice. Passou à clandestinidade em 1936. Foi preso várias vezes, a mais prolongada em 1949, no Forte de Peniche, de onde se conseguiu evadir em 1960.Foi secretário geral de 1961 a 1992. Depois de 1974, foi ministro sem pasta dos governos provisórios de 1974 e de 1975.

Podemos igualmente ressaltar a sua actividade como escritor e como artista plástico.

EDGAR CARDOSO

Licenciado no Porto em engenharia civil, foi depois professor no Instituto Superior Técnico, em Lisboa e também no estrangeiro. Foi Doutor Honoris Causa de arquitectura e de engenharia pela Universidade de São Paulo, Brasil.

Projectou, um pouco por todo o mundo pontes e estruturas, que lhe valeram reconhecimento internacional. Podem-se salientar as pontes sobre o rio Douro, da Arrábida (1963) e S, João (1991) e Macau a ponte de Taipa. Faleceu em 2000, em Lisboa.

HELENA SÁ E COSTA

Brilhante pianista e pedagoga, nasceu numa família de músicos. Concluídos os estudos em Portugal, partiu para Paris onde estudou com os pianistas Paul Loyonnet e Alfred Cortot. Depois desta experiência viveu em Berlim, onde estudou com Edwin Fischer.

Com uma brilhante e intensa carreira artística, Helena de Sá e Costa realizou ao longo da sua vida inúmeras tournées não só por toda a Europa, mas também pela América do Norte e do Sul, apresentando-se tanto a solo como em música de câmara, trabalhando com maestros famosos.

A par da sua actividade artística, Helena de Sá e Costa desenvolveu igualmente uma notável actividade como pedagoga, sendo recordada por todos os seus alunos com enorme carinho. Faleceu em 2006 no Porto.

ILSE LOSA

Nasceu na Alemanha e veio para Portugal em 1934, fugindo à perseguição nazi, dada a sua ascendência judia.

É conhecida principalmente pelos seus livros para crianças e pelo seu livro sobre as memórias das perseguições aos judeus com o título “O Mundo em que vivi” (1943). Recebeu, em 1991 o Grande Prémio de Livros para Crianças atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1984, pelo conjunto da sua obra e o prémio Maçã de Ouro da Bienal Internacional de Bratislava, em 1989, pelo conto Silka.

 Escreveu regularmente desde 1949, sendo o seu livro “Um Fidalgo de Pernas Curtas” muito conhecido, bem como “Contos de Eva Luna.” Divulgou autores portugueses na Alemanha. Trabalhou também para a televisão criando séries infantis. Faleceu a 6 de Janeiro de 2006.

JOÃO DOS SANTOS

Médico e psicanalista, pensador e homem de acção, o seu interesse científico e prático focou-se essencialmente na criança e nos seus problemas e perturbações. Revolucionou os caminhos da psiquiatria infantil, preocupando-se com a prevenção dessas perturbações. O seu nome ficou ligado a muitas instituições que ajudou a criar. Em 1965 foi nomeado director do Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa, onde implementou uma dinâmica notável de apoio à criança, na área da saúde mental infantil.

Foi um dos co-funadores da Sociedade Portuguesa de Psicanálise.

Grande interventor nos meios de comunicação social orador em palestras, deixou várias obras publicadas e muitos escritos que estão agora a sair como obras inéditas. Faleceu em 1987.

JOÃO VILLARET

Actor e declamador excepcional.  Conhecido no país sobretudo como declamador, área em que gostava muito de trabalhar. Ficaram famosas as suas tertúlias no Café Brasileira. A sua participação no cinema ainda hoje é apreciada. Foi obrigado a retirar-se do palco em 1960 por motivos de saúde. Faleceu no ano seguinte.

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