APRENDE-SE DE BARRIGA VAZIA? E COM COMIDA A MAIS? por clara castilho

9349741_b7nUlO que acontece quando uma criança não se alimenta o suficiente e vai para a escola? Uma dieta deficiente que impacto tem nas aprendizagens?  Tudo indica que sim.

Calcula-se que um quarto das crianças do mundo têm o seu desempenho escolar em risco por causa de malnutrição, aponta a “Save the Children”.

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Considera a organização que se verificam “danos irreversíveis” da desnutrição crónica em milhões de crianças de países em desenvolvimento. Para além das consequências a nível da saúde, prolongam-se pelas aprendizagens e têm consequências no nível de emprego que irão conseguir quando mais velhos.

Para variar, esses estudos são feitos em países claramente deficitários…. Neste caso na  Etiópia, Índia, Vietname e Peru. Mas não é preciso muita imaginação para pensar no aqui e agora, nas crise económica e nas notícias já correntes de crianças que só se alimentam na própria escola.

Concluem que:

– Aos oito anos de idade, 19% das crianças subnutridas mostravam uma maior propensão para se enganar na leitura de frases simples como, por exemplo, “o sol está quente”.

– 12,5% revelavam maior tendência para o erro na escrita

–  7% tinham um desempenho pior na execução de operações simples de aritmética

 “As conclusões deste relatório confirmam os nossos piores receios: de que a desnutrição prejudica irreversivelmente as hipóteses de futuro de uma criança mesmo antes de ela pôr os pés numa sala de aula. É verdade que foram feitos enormes progressos no combate à mortalidade infantil, mas o facto de 25% das crianças do mundo terem à partida o seu desempenho escolar comprometido tem graves consequências em termos dos esforços para pôr fim à pobreza global”, refere a organização.

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Desde 1999, o número de crianças que passou a frequentar o ensino básico aumentou em mais de 40 milhões. “Mas isso não resolve a crise global na educação, uma vez que, por causa das carências alimentares, temos 130 milhões de crianças na escola sem conseguir aprender. Ou seja, continuam sem ter as competências básicas e, por isso, sem ter a oportunidade de cumprir o seu potencial e levar uma vida produtiva”.

Save the Children faz um apelo aos governos e dadores para que combatam a desnutrição. Eles deverão:

 – Apoiar e financiar planos nacionais para intensificar a nutrição, anunciar compromissos para desenvolver e fornecer apoio técnico e financeiro para a implementação baseada em evidências.

 -Melhorar a nutrição através da sensibilização de iniciativas de agricultura que melhorem a base alimentar

 – Aproveitar a realização de uma cimeira dos líderes do G8, na Irlanda do Norte, nos dias 17 e 18 de Junho, para levantar estas questões.

 – Reconhecer a importância da nutrição para o desenvolvimento cognitivo e educacional, sobretudo nos primeiros anos de vida.

Por outro lado, um outro estudo, do John Hopkins Bloomberg School of Public Health, de Baltimore (in http://www.onu.org.br/desnutricao-ainda-e-o-motivo-de-45-das-mortes-de-criancas-menores-de-cinco-anos-alerta-unicef/) indica que a  malnutrição é responsável por 45% das mortes de crianças com menos de cinco anos – cerca de 3,1 milhões de pessoas.  A conclusão é baseada na revisão dos dados relativos a malnutrição e obesidade em países de baixo ou médio rendimento e sobre programas alimentares nacionais e internacionais, desde 2008.

Alertam ainda que os primeiros mil dias de vida (incluindo os 9 meses de gestação e dos dois anos de idade) têm consequências duradouras para a saúde. Consideram que cerca de 900 mil vidas poderiam ter sido salvas em 34 países, se dez intervenções nutricionais de êxito comprovado tivessem sido alargadas a 90% da população.

Neste estudo a malnutrição tem um espectro mais alargado, pois aqui engloba quer o excesso de peso, quer a subnutrição.

Questionava se uma criança com barriga cheia aprende na escola. Pois terá mais condições para o fazer do que a que não comeu nada ao jantar ou ao pequeno almoço. Mas, se se tornar obesa, a alongo prazo essa aprendizagem estará comprometida pelo risco de vir a sofrer de sérios problemas de saúde durante a sua adolescência e na idade adulta. Tem maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, asma, doenças do fígado, apneia do sono e vários tipos de cancro. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é a segunda principal causa de morte no mundo que se pode prevenir, a seguir ao tabaco.

No entanto, preocupo-me mais com a malnutrição que vem da subnutrição…porque não ter que comer é um direito roubado!

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