Nota prévia:
Para ouvir as músicas dos Madredeus, há que aceder à página
http://nossaradio.blogspot.pt/2013/06/revisitando-os-dias-da-madredeus.htm
l e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.
Da esquerda para a direita: Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão, Gabriel Gomes, Teresa Salgueiro e Francisco Ribeiro (fotografia de Álvaro Rosendo, 1987)
[defronte ao portal da antiga igreja do convento de Xabregas / Teatro Ibérico]
«Há pouco mais de um quarto de século, trabalhava eu na maior editora de música portuguesa [Valentim de Carvalho], participei numa reunião muito acalorada. Tudo, claro, por causa de um disco…»
Assim começa David Ferreira a contar a história do nascimento e primeiros passos dos Madredeus, o nome da música portuguesa que, depois de Amália Rodrigues, maior projecção alcançou além-fronteiras. É uma história repartida por seis capítulos cuja audição se recomenda vivamente, quer aos admiradores do grupo, quer àqueles que, em razão da jovem idade, não conheçam a obra da fase inicial. E com a vantagem de ser contada por alguém que fala com conhecimento de causa:
I – Nos bastidores do lançamento de um disco estranho
http://www.rtp.pt/play/p955/e108071/david-ferreira-a-contar
II – O novo grupo de Pedro Ayres e Rodrigo Leão
http://www.rtp.pt/play/p955/e108246/david-ferreira-a-contar
III – Os dias da Madredeus
http://www.rtp.pt/play/p955/e108443/david-ferreira-a-contar
IV – As primeiras viagens dos Madredeus
http://www.rtp.pt/play/p955/e108527/david-ferreira-a-contar
V – Madredeus “Existir”
http://www.rtp.pt/play/p955/e108631/david-ferreira-a-contar
VI – Madredeus à conquista do mundo
http://www.rtp.pt/play/p955/e108742/david-ferreira-a-contar
Esta justíssima evocação dos Madredeus teve o bendito condão de levar-me a revisitar esse fabuloso álbum inaugural, “Os Dias da MadreDeus”. O mais genuíno, inspirado e arrebatador de toda a discografia do grupo que revelou a bela e portentosa voz de Teresa Salgueiro e que, nas palavras de Jorge Pires (in “Madredeus: Um Futuro Maior”, 1995), «além de ser aquele que lançou a semente à terra, é um disco que ainda hoje mantém alguns dos melhores momentos da sua criação. Totalmente descomprometido ante estratégias que não as que levavam directamente à música, encerra pérolas que estabelecem um equilíbrio irrepetível entre fragilidade e rudeza, entre inocência e solenidade, e que na sua beleza são plenamente capazes de provocar arrepios na espinha a quem as ouça». Lamentavelmente, nem sequer uma dessas pérolas figura na ‘playlist’ da RDP-Antena 1, apesar da obrigação que tem, legalmente estipulada, de divulgar o nosso património musical mais valioso e perene. Aliás, os Madredeus (com Teresa Salgueiro, bem entendido) têm sido muito mal tratados pela rádio estatal nos últimos anos. Nada mais do que “Alfama” (do álbum “Ainda”) e a versão electrónica de “Haja o Que Houver”… Razão bastante para que o blogue “A Nossa Rádio” empreenda o serviço público de “trazer para a luz do dia” as pérolas mais esplendorosas d’ “Os Dias da MadreDeus”, fazendo justiça a esse auspicioso trabalho e aos músicos que, com muito amor e entrega, o realizaram: Maria Teresa Salgueiro (voz), Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica), Rodrigo Leão Muñoz (teclados), Gabriel Gomes (acordeão) e Francisco Ribeiro (violoncelo).
Capa do álbum “Os Dias da MadreDeus” (EMI-VC, Dezembro de 1987) Concepção de Pedro Ayres Magalhães, sobre uma aguarela de José Alexandre Gonefrey Fotografia de Luís Ramos
(Continua)

