SUPERMERCADO DAS PESSOAS – UM NOVO CONCEITO por clara castilho

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Ora bem, se perto de mim houvesse algo como esta iniciativa, lá estaria a fazer as minhas compras e a colaborar em tudo o que fosse preciso. Será de arriscar?

Londres, 2009. Arthur Potts-Dawson, Kate Bull e David Barrie, inspirados no exemplo do Park Slope Food Co-operative, de Nova York, juntaram-se para organizar algo diferente em relação à forma como se podem adquirir, hoje em dia, mantimentos e outros produtos, coisas que habitualmente fazemos no chamado SUPERMERCADO. Aí, os proprietários contratam funcionários, os clientes pagam e vão-se embora. E o lucro fica para o proprietário, claro.

Propuseram serem as próprias pessoas a tornarem-se membros do negócio e oferecem horas de trabalho voluntário, ganhando, entre outras coisas, o direito a descontos nas compras. Os membros, têm direito a um  preço menor para os produtos já têm o valor reduzido, uma vez que o quadro de funcionários fixos é mais pequeno em relação a um supermercado comum.

Pretendem que se crie “ um comércio sustentável, uma empresa social que alcança o crescimento e as metas de rentabilidade enquanto opera dentro de valores baseados no desenvolvimento da comunidade”.

Defendem que, desta forma, as pessoas se “apropriam” daquilo que faz parte do dia-a-dia (no caso, um supermercado) e que um ambiente participativo é menos impessoal, mais caloroso e mais sustentável nas relações entre pessoas e meio ambiente.

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Enunciam-se  as 15 características do The People’s Supermarket :

  1. 1.      Não há a concentração da renda e dos lucros. 2. A lógica é o alimento PARA as pessoas e PELAS pessoas. Não existe consumidor final. 3. Quem é membro também é dono do negócio e tem poder de decisão.4. Qualquer pessoa pode comprar no supermercado. Porém, quem se torna um membro tem alguns benefícios, direitos e responsabilidades a cumprir. 5. Dedicação, energia e engajamento são as características esperadas para quem quer ser (ou já é) um membro; 6. Uma das intenções é conectar a população urbana com a comunidade rural local, provedora dos alimentos que abastecem as cidades; 7. É importante considerar que as pessoas estão prontas para as mudanças. Por isso, novos modelos de consumo devem ser colocados em prática e naturalmente serão bem aceitos pela população (ou pelo menos por parte dela); 8. Um dos propósitos do negócio é um supermercado que atenda as necessidades dos membros da comunidade oferecendo alimentos saudáveis e de alta qualidade, por preços razoáveis; 9. As compras são feitas de fornecedores confiáveis, com os quais o supermercado cria boas relações; 10. A produção de alimentos local, nas proximidades de Londres, tem preferência. Uma das regras é comprar produtos britânicos sempre que possível; 11. Um dos principais objetivos é reduzir ao máximo o desperdício de alimentos. Uma das formas encontradas para isso foi a criação de uma “cozinha-restaurante” que prepara pratos com alimentos que estão com a data de vencimento próxima. As refeições devem ser nutritivas e saudáveis, sem conservantes e açúcar em excesso, para os clientes levarem prontas para casa.12. Ainda para evitar o desperdício, o supermercado faz compostagem, processo de produção de adubo feito com resíduos orgânicos; 13. Como valores do negócio, o supermercado proporciona treinamentos de habilidades para seus funcionários e voluntários que podem ser aplicados tanto no trabalho quando fora dele. A empresa, a partir deste prisma, deve ser um recurso de desenvolvimento para a comunidade como um todo; 14. O ambiente de trabalho é feito para que todos dêem sua contribuição. Todos são bem-vindos e livres de julgamento. Não há razões sociais, políticas ou religiosas que impeçam uma pessoa de fazer parte; 15. O local não vende cigarro.

 

 

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