FUI AO TEATRO VER DIÁRIO DE UMA CRIADA DE QUARTO, de OCTAVE MIRBEAU. Por JOÃO MACHADO

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19279_312961704548_1042758_nSábado, 25 de Maio, fui a Linda-a-Velha, ao Intervalo Teatro, que está a funcionar no auditório Lourdes Norberto. O Armando Caldas endereçou-nos, a mim e ao Arlindo Gouveia, um convite para irmos ver a peça que acabava de estrear.  O objectivo era o de nos proporcionar  o conhecimento da obra e preparar uma deslocação do pessoal da Cooperativa Alves Redol. O Armando Caldas é assim, organizado e meticuloso, para além de ter um enorme amor ao teatro (universalmente reconhecido), um talento colossal e uma grande abertura de espírito.

Diário de uma Criada de Quarto (1900) é uma obra de Octave Mirbeau (1848 – 1917), um escritor francês, que também foi jornalista e150px-MirbeauChambermaidDiary crítico de arte e de literatura. Simpatizante do anarquismo, procurava conciliar a literatura coma a crítica social, tendo produzido uma obra vasta, que tem sido menosprezada. Apoiou corajosamente a causa de Alfred Dreyfus, seguindo o exemplo de Émile Zola, inclusive pagando a multa a que este foi condenado por ter escrito J’accuse.

jfcafficheSendo um crítico acérrimo da burguesia e dos seus costumes, escreveu várias obras em que abordava esse tema, como os romances L’Abbé Jules (1888), Sébastien Roch (1890), Dans le Ciel (1898), Le Jardin des Supplices (1900) e outros. Também escreveu peças para o teatro, como Les Affaires sont les Affaires (1903) e Le Foyer (1908). O romance Diário de uma Criada de Quarto foi por três vezes adaptado ao cinema, pelo russo Martov (1916), por Jean Renoir (1946, nos EUA) e Luis Buñuel  (1964, em França). Mostramos aqui o cartaz relativo a esta última adaptação.

As adaptações de Diário de uma Criada de Quarto ao teatro têm sido numerosas e esta, do IntervaloArmando Caldas Grupo de Teatro, é sem dúvida um excelente trabalho. A adaptação teatral é de Clara Rocha Viegas, o arranjo cénico de Graça Rodrigues, o poema final de Fernando Tavares Marques e a encenação do Armando Caldas,  com um estupendo trabalho da equipa do Intervalo Teatro, a completar a apresentação. O trabalho da Adriana Rocha em Célestine supera tudo o que se possa dizer. Uma jovem actriz que aguenta superiormente um papel que requer, para além de muito talento, uma grande experiência. Mereceu e muito os aplausos e as felicitações. Diário de uma Criada de Quarto só vai em cena, no Lourdes Norberto até dia 30 de Junho. Pelas informações que nos transmitiram, a Adriana Rocha, em Setembro, vai continuar a representar o papel de Célestine no Teatro Nacional D. Maria II.

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Obrigado à Société Octave Mirbeau, cujo blogue está em http://www.mirbeau.org/, à wikipedia, ao Intervalo Teatro, ao Armando Caldas, à Adriana Rocha e a todos que tornaram possível a peça e este pequeno artigo.

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