Delphine Batho, ministra francesa da ecologia e da energia, foi demitida terça-feira passada por ter protestado contra os cortes no orçamento do seu ministério, no orçamento para 2014, os quais, segundo Le Monde, serão na ordem dos 7%, implicando a supressão de 1093 postos de trabalho. Ver:
Delphine Batho entretanto responsabilizou os lobbies económicos pela sua demissão. Realmente, os dossiês da exploração do gaz de xisto e da energia nuclear terão estado na origem de atritos com industriais e companhias, tendo um responsável da firma que lidera mundialmente a produção de tubagens sem soldadura, usadas em perfurações mais complexas, sido acusado pela ex-ministra de ter vaticinado o seu despedimento. Esse industrial será casado com uma responsável do gabinete de François Hollande.
Dirão: lá como cá, isto vai de bronca em bronca. Bem lá, por enquanto ainda se vai conseguindo ter alguma informação mais concreta e detalhada sobre assuntos relevantes. Por cá, o conhecimento sobre as questões concretas está submerso sob avalanches de detalhes sobre as reacções do mercado, as perdas na bolsa, etc. que têm como claro objectivo prejudicar a opção por eleições legislativas a curto prazo. Le Monde, que actualmente tem uma postura bastante diferente da de há alguns anos atrás, sempre nos vai dando a conhecer algumas opiniões da ministra despedida, nomeadamente: “ É na ecologia que se concentra o choque com o mundo financeiro. As forças opostas à mudança são poderosas. Chegou o momento da mobilização para lhes fazer frente”. São afirmações a que se deve prestar atenção, vindas da parte de alguém que parece ainda jovem, mas já detentora de uma experiência significativa.

