BUCÉFALO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

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Imagem2Tomai tento! Quem é aquele vulto junto à coudelaria real? Mas é Filónicos, o tessaliense, o criador de cavalos, sossegai! Está a mostrar a Filipe um bicho raro: Bucéfalo, o garanhão com cabeça de touro, apenas lhe faltam cornos. O Rei manda experimentar o animal. Nenhum dos lidadores consegue meter-lhe freio. Alexandre ri, grita e bate palmas. Deduz que talvez as sombras estejam a assustar o cavalo, será por isso que ele se furta à domação. Empina-se, desobedece, relincha e morde, corcova, escoiceia. Filipe recusa a compra. Mas Alexandre desafia:

 – Meu Rei e pai, sou eu quem vai montar esse cavalo! Se disso não for capaz, eu mesmo o compro, eu mesmo o pago.

Guerreiros, lavradores e artesãos riem muito, o príncipe é franganote a tentar cantar de galo. Mas Alexandre toma as rédeas. Vira a cabeça do cavalo contra o sol, afasta as sombras que o assustam. E salta-lhe para o dorso. Olhai que sai em galope disparado. A toda a brida vão e voltam, espanto geral. Assim Alexandre se apodera de Bucéfalo. Assim guerreiros, lavradores e artesãos bem entendem que ali vai, e ali vem, o Rei futuro da Macedónia.

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