A conjuntura actual é esmagadora. Sentimos que estamos metidos numa teia, cada vez mais emaranhada e resistente, que temos de romper, mas não sabemos por onde começar. Entre outros aspectos, percebemos que a adesão à União Europeia foi uma armadilha, agravada pela adesão ao euro, mas… como sair das garras com que nos prendeu? Inexoravelmente, impõe-nos limitações ao nosso bem-estar, à nossa capacidade de decisão, à nossa liberdade de espírito. Isto apesar de nos terem bombardeado com promessas em sentido totalmente oposto. De que a adesão seria um garante da continuidade da democracia, do cumprimento do objectivo de aproximar o nível de vida do nosso país do de outros países tidos como mais avançados, por aí afora.
O caso é muito agravado pela maneira de ser e de pensar da classe dominante portuguesa, que domina o estado, as instituições e os aparelhos partidários, pelo menos os do chamado arco do poder. Sob a aparência de um debate intensivo, de uma profusão de informação sobre os mais variados aspectos que possam eventualmente interessar a quem procura compreender os dramas que em que estamos metidos todos os dias, existe na realidade um grande condicionamento. E a aceitação desde a primeira hora pelos nossos governantes e seus apaniguados da supremacia das instituições europeias e da ideologia que as inspira agravou ainda mais a situação. As dificuldades notórias em se fazer um debate alargado e aprofundado sobre questões capitais, como a entrada ou saída do euro, a continuação e alargamento da União Europeia, são disto reflexo.
Ao contrário do que nos querem fazer crer há muitas alternativas porque se poderá enveredar. Para que as pessoas, os cidadãos possam tomar as decisões, escolher as opções, como tem de ser em democracia, é necessário primeiro enunciá-las e debatê-las. Ter a noção dos factos básicos, como por exemplo, de que a União Europeia e a zona euro têm sido úteis sobretudo às grandes potências e ao capital financeiro, é essencial. De que às oligarquias nacionais, se juntou o que já se pode chamar uma oligarquia europeia, dotada de um poder que subjuga as nações e as expolia da sua soberania, formando uma casta dotada de um poder autónomo do poder democrático, e que se renova por cooptação. De que os povos, para não serem ainda mais esmagados, terão de lutar contra estas castas. E de escolher lutar cada um por si, ou em conjunto com os outros povos. Ou em simultâneo.


Por si e utilizando as suas especificidades. A democracia será o terreiro mais favorável para encontrar-se uma solução, porém, a que temos está poluída pelos direitos de pernada conferidos aos partidos políticos.
Qualquer movimentação social, caso tenha alguma expressão, é imediatamente invadida pelos militantes partidários que, ou acabam por destruir tudo ou por conseguir deitar mão a tudo.CLV