Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Carta aberta aos jovens (Ανοιχτή επιστολή προς τους νέους)
Esta “carta aberta aos jovens” foi escrita por intelectuais e artistas da cena nacional grega: historiadores, sociólogos, matemáticos, arquitectos, linguistas, advogados, filósofos, escritores, poetas, pintores, escultores, cineastas, directores, músicos, cantores. Assinam com os seus nomes esta carta, publicada em 9 de junho de 2013 no diário Kathimerini.
Carta aberta aos jovens
«Com o direito que é o teu, sê cidadão da cidade de ideias» C. P. Cavafy
Foi um dia de festa para a Europa, o dia 8 de Maio de 1945. Dia da vitória dos europeus livres contra a barbárie nazi e contra o fascismo. Contudo, 68 anos depois da derrota, do que pensávamos ser o final dos camisas negras, a Grécia está novamente sob ameaça de grupos organizados de fascistas. Os seus membros defendem e difundem o que precisamente os democratas do mundo combateram incansavelmente e por sacrifícios durante o conflito mais mortífero que a humanidade já conheceu, ou seja, durante a II Guerra Mundial.
Partidos e movimentos com ideais e slogans de intolerância e de xenofobia, com motivos escuros e interessados, aterrorizam os cidadãos pela violência, cometem crimes contra estrangeiros e que ficam quase impunes, usam da violência contra os representantes legais da cidade e até mesmo contra a ordem democrática.
As vaias unânimes contra este fenómeno de barbárie não bastam. É necessário que todos compreendam que a chamada caridade dos neo-nazis para com as categorias de cidadãos mais vulneráveis em termos económicos e sociais tem apenas como objectivo a comunicação. É ineficaz e perigosa pela divisão que cria, destruindo o tecido da solidariedade e da coesão social.
É nosso dever não só condenar esses grupos e tomar as distâncias que são necessárias e se impõem, mas especialmente chamar a atenção de todas as autoridades sobre o perigo que se está a enfrentar por aceitar ou simplesmente tolerar a acção destes grupos neonazis. Esta acção é um insulto à civilização e uma mancha no país que ensinou ao mundo o que é a humanidade. O que torna possível incidentes fascistas mesmo no Parlamento grego, a ausência de culpabilização, deve-nos preocupar seriamente. Devemos reagir imediata e eficazmente, antes que a história nos peça para apresentar contas por uma tão inaceitável complacência.
Nós, signatários deste texto, decidimos, com os meios intelectuais à nossa disposição, impedir a divulgação de propaganda de ódio, de dissuadir as manifestações da barbárie em actos e em palavras, e proclamar o respeito pelas tradições culturais e políticos da nação. O nosso dever é o de denunciar e condenar todo e qualquer desvio das instituições democráticas que a nossa história milenar nos legou.
Nós escolhemos em a Antígona de Sófocles o lema que nos une: ”nascemos para amar e não para odiar” « » (« ου συνεχθείν αλλά συμφιλείν έφυν »).
Eleni Arveler, Nicos Alvizatos, Thanassis Valtinos, Vassilis Vassilicos, Thanos Veremis, Pantelis Voulgaris, Costa-Gavras, Christos Yiannaras, Niki Goulandri, Angelos Delivorias, Alki Zei, Pandelis Capsis, Chara Kiosse, Mihalis Copidakis, Menis Coumandareas, Yiorgos Couroupos, Emmanouil Kriaras, Stathis Livathinos, Yiorgos Loucos, Dimitris Maronitis, Natalia Mela, Nicos Mouzelis, Yiorgos Dalaras, Stavros Xarhacos, Titos Patrikios, Yiannis Pretenderis, Stelios Ramfos, Mihalis Stathopoulos, Anna Sinodinou, Panayiotis Tetsis, Costas Tsoclis, Maria Farandouri, Alecos Fasianos, Thanassis Focas, Panayis Psomopoulos.

