SENTO-ME NA MADRUGADA – um poema de Adão Cruz

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Sento-me na madrugada e deixo-me banhar na fresca luz do amanhecer

Ocorre-me sair para norte…ou será para o sul

Coabitar comigo mesmo as horas do sol presente aprender a revisitar sem mágoa o tempo das horas que sempre foram madrugada

Sem voz nova na garganta ver cair a água da montanha levando consigo a canção gelada que o sol e sombra da memória ainda cantam

Esquecer todos os recantos deste canto por onde passo e me revejo na luz difusa de outra madrugada anoitecida antes de o sol ser dia de todas as manhãs

Ilustração – reprodução de um quadro de Adão Cruz

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