. A ILHA DOS NÁUFRAGOS, de Louis Even – 25 – Fábula que permite compreender o mistério do dinheiro

Qual é o capital comunitário?

Em primeiro lugar, há os recursos naturais do país, que não foram produzidos por ninguém. Depois hã a soma das capacidades e competências, das invenções, das descobertas, do aperfeiçoamento das técnicas de produção, de todo o avanço tecnológico adquirido, acumulado, aumentado e transmitido de geração em geração. É uma herança comum, ganha pelas gerações passadas, que a nossa geração, aumenta e enriquece para a poder legar à proxima. Não é propriedade exclusiva de ninguém, mas um bem comunitário por excelência.

Este acumulo de saber é o maior factor de aumento da produção moderna. Se excluirmos a força motriz do nuclear, da electricidade, do petróleo – invenções dos últimos séculos,  qual seria a produção total de todos os efectivos operários do país? Sem dúvida que é preçiso ainda produtores para pôr este capital em pleno rendimento, produtores que serão recompensados com os seus salários. Mas o capital, em si, deve valorizar e pagar os dividendos aos seus legítimos  proprietários, ou seja, a todos os cidadãos, todos eles, sem excepção, co-herdeiros das gerações passadas.

Visto que o capital comunitário é o maior factor da produção moderna, os dividendos que dele resultam, deveriam ser suficientes para proporcionar a cada um, no mínimo, a satisfação das necessidades básicas e essênciais à existência. Depois, à medida que a mecanização, a motorização, a automatização, tomem um lugar cada vez mais preponderante, na produção, o trabalho humano será menos evidente, e a parte distribuda pelo dividendo deverá tornar-se mais substancial. Esta seria uma outra maneira de conceber a distribuição da riqueza, diferente da que hoje vigora. Em vez de deixar as pessoas e as famílias na miséria, ou de lançar impostos sobre os que ganham salários par auxiliar os que já não produzem, toda a gente teria assegurado um rendimento básico, ou seja, os dividendos pela riqueza acumulada pelas gerações anteriores,. Em suma, uma melhor repartição dos bens comuns.

Seria ao mesmo tempo um sitema mais adequado às grandes possibilidades produtivas modernas e pôr em prática o direito de todos os seres humanos ao usofruto dos bens materiais. Direito que cada pessoa tem, pelo simples facto de ter nascido. Direito fundamental e inalienável. Dividendos para todos: esta é uma fórmula económica e social que é a mais justa para propor a um mundo cujo problema já não é de produzir, mas o de distribuir os produtos.

Conclusão

Aqui terminamos esta adaptação do texto de Louis Even – adaptação em que suprimimos as passagens que se referiam especificamente ao Canadá e as que reflectiam um carácter religioso que nada acrescenta ao que de inovador a teoria de Even contém. O argonauta e professor de Economia Júlio Marques Mota comentará esta fábula que temos vindo a publicar e que hoje atinge o seu final.

Leave a Reply