O PATO ALGEMADO – Corrupção ou teoria da conspiração? – por Sérgio Madeira

Na sua tranquila pateira privada, o equivalente a uma datcha, o Pato passa as suas merecidas férias, na companhia da prima e de uma ninhada de priminhos que insistem em tratar o Pato por kwá kwá – ou seja – papá. As visitas têm sido frequentes – um pato brasileiro veio pela manhã, esteve horas a conversar com o nosso herói. Quando a prima veio perguntar ao visitante se ficava para almoçar, o amigo brasileiro, respondeu que não, pois tinha de ir integrar-se num bando de patos-selvagens que ia atravessar o Atlântico. O Pato ficou apreensivo e quando o Professor apareceu, ainda estava pensativo. O Professor, descalçou-se e mergulhou os pés nas águas da pateira:

– Está-se bem aqui… – e acrescentou – há alguma coisa que se beba?

– Há aí uma garrafa… mas não é de Brejoeira – avisou – e para a prima pediu – kwá kwá.

– Conde de Amarante – leu o Professor no rótulo – bebeu um gole – Não é má… bebe-se. – e para o Pato – Não me entregaste a carta ao António José Seguro.

– Não podia fazer uma coisa dessas.

– Não podias porquê?

– Tenho um acordo com os CTT.

– Ah sim?

– Pois. Eu não entrego correspondência e os CTT…

– Não comem milho painço…

– Mau… mau. Os CTT não fazem investigação criminal.

– Então tu agora fazes investigação criminal? – o Professor riu-se – Essa é boa.

– É boa, mas é verdade – disse o Inspector Pais que vinha a chegar. Descalçou-se e, sentando-se ao lado do Professor, mergulhou também os pés na água da pateira.

– Pastéis de bacalhau, não há – avisou o Pato.

– Isso era na história do pastor alemão. Enjoei os pastéis de bacalhau. Pedi ao autor para de futuro me poupar a esse tormento…

– E ele? – perguntou o Professor, enquanto bebia mais um gole de Conde de Amarante.

– Mudou para rissóis de camarão.

No meio da pateira os oito patinhos faziam uma enorme algazarra em torno de um coelho de borracha. O inspector perguntou:

– São teus…

– São meus primos… em terceiro grau.

– Pois, pois – o Professor voltou-se para o Inspector que mastigava o primeiro rissol – Então aqui o artista é investigador criminal?

– Mais ou menos… é mais assim… uma espécie de informador.

– Ó inspector não esteja a baixar-me de categoria! – e o Pato acrescentou – tanto mais que acabo de receber informações muito importantes…

– Sobre o quê? – e o inspector atacou o segundo rissol .

– Corrupção no mundo do futebol.

– Ora! – comentou o Professor – Corrupção do futebol em Portugal? Já nem se chama corrupção – são técnicas de engenharia financeira,

– Mas não se trata de Portugal. Trata-se do futebol mundial.

Após esta declaração, o Inspector e o Professor prepararam-se para ouvir. O Pato afinou a garganta e começou o seu relato.

– Sabem o que é a FIFA?

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