A “DÁDIVA” DO PEQUENO ALMOÇO AJUDOU NO SUCESSO ESCOLAR? por clara castilho

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Confrontados com os maus resultados nos exames nacionais, é altura de reflectir sobre algumas das suas causas. Que serão muitas, certamente.

Mas fiquemos pela malnutrição. A organização internacional Save the Children, apresentou um relatório sobre o impacto negativo de uma dieta deficiente na aprendizagem infantil –  Food for Thought., reafirmando que as crianças mal alimentadas têm maiores dificuldades para aprender a ler e escrever.

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Portugal não foge à regra E a falta de alimentação adequada,  digamos as coisas pelo seu nome – a fome, está ligada a pobreza dos pais. Num  Estudo temático sobre as medidas políticas relativas à pobreza infantil ( Processo de Protecção Social e e Inclusão Social da União Europeia – 2008), o nosso país  é inserido num grupo D (logo, antecedido por  3 grupos), em que se apontam: “Os países deste grupo — Espanha, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Polónia e Portugal — registam taxas relactiva­mente elevadas de pobreza infantil. No entanto, é menor a percentagem de crianças que vive em famílias desempregadas, embora seja muito elevada a taxa de pobreza entre famílias com emprego. Os principais factores responsáveis pela pobreza em famílias que trabalham nesses países são a reduzida intensidade do trabalho e os baixos salários”. Isto foi em 2008, sabemos que a situação piorou grandemente.”

Indo neste sentido, o Ministério da Educação e Ciência implementou o Programa Escolar de Reforço Alimentar (PERA), em Setembro do ano passado, para responder à “excepcionalidade do momento”. Sabia-se que havia mais crianças que estavam a ir para as aulas sem tomar o pequeno-almoço. Pretendia-se “conciliar a educação alimentar com a necessidade de suprir carências alimentares detectadas em alunos” de escolas públicas. Foram abrangidas quase 400 escolas e dele beneficiaram mais de 10 mil crianças e jovens de diferentes níveis de ensino não superior.

O Ministério que muito gosta de estatísticas, para mais as que o elogiam, fez o estudo da correlação da “dádiva” do pequeno-almoço com o desempenho a partir do momento em que a primeira refeição do dia passou a estar assegurada. Resta saber o que os outros ministérios fizeram para melhorar as condições económicas da família…

E concluem que 50% dos 10.186 alunos viram o seu aproveitamento melhorar; que em 37% dos casos não houve alteração em termos de aproveitamento escolar. O impacto no comportamento dos alunos abrangidos pelo reforço alimentar também foi medido: 42% revelaram melhorias; em 49% dos casos não houve alteração.

Algumas famílias foram sinalizadas para o Instituto da Segurança Social, tendo o  Ministério da Solidariedade e Segurança Social apoiado o programa através da utilização das cantinas sociais pelos alunos durante os períodos de interrupção da actividade lectiva.

O Programa foi possível com parcerias com empresas de comercialização e produção de géneros alimentares, bancos alimentares contra a fome e instituições particulares de solidariedade social, não tendo custos para o ministério. Os produtos chegavam as escolas através da ajuda da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

É fazer bonito com a ajuda dos outros!

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