EDUCADORES SOCIAIS NAS ESCOLAS por clara castilho

 

Os educadores sociais podem trabalhar em lares de acolhimento, escolas, hospitais…

 A APES (Associação promotora de educação social) é uma associação que organiza encontros de profissionais, no sentido da partilha de experiências, da melhoria profissional e do reconhecimento da importância do seu papel em equipas multidisciplinares.

 No seu boletim nº5, de Julho de 2013, dão-nos a sua visão: “O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade. Este é um dos maiores desafios que o Educador Social tem em mãos! Se é verdade que não podemos mudar o mundo, os educadores sociais entendem que têm por missão tentar melhorá-lo em cada criança com quem trabalham. E isto porque é nas crianças que se depositam a maior esperança de um futuro melhor e mais justo”.

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Entre os vários assuntos abordados escolhemos a actuação junto das escolas. Em entrevista a Leonor Haydée Viegas – Educadora Social/ Formadora do Curso de Aprendizagem em Animação Sociocultural esta exemplifica o seu trabalho integrado nas escolas: “A Educação Social contribui com a sua parte no campo da educação não formal e informal. De acordo com Paulo Freire, na Pedagogia do Oprimido, a humanização é algo conquistado pela própria pessoa, que, ao tornar-se um ser crítico e consciente, se humaniza. Portanto, é necessário promover nos alunos a capacidade de pensarem criticamente sobre os acontecimentos, sobre o mundo, o seu contexto, o seu papel, a sua contribuição para a história, a importância de cada um. Desta forma, está-se a contribuir para a sua humanização.

[…}] Numa altura em que cada vez mais os jovens passam um maior período de tempo na escola em actividades de carácter curricular, devido ao total preenchimento dos tempos escolares com aulas, e tendo em conta que a escolaridade obrigatória é agora de 12 anos, consideramos importante que a escola não seja apenas centrada na componente lectiva e curricular. […] É possível a Educação Social ultrapassar os muros da escola e surgir não apenas ao nível da intervenção não formal, em gabinetes próprios (tal como já se vai verificando em escolas e colégios do país), mas também ao nível da educação formal, por exemplo, através das actividades extracurriculares e da educação para a cidadania ou da formação cívica. Por outro lado, e tendo em conta a formação académica dos Educadores Sociais, considera-se que estão capacitados para a docência das disciplinas técnicas dos cursos profissionais e de aprendizagem da área social.

[…] Acreditando que a escola deve desenvolver uma educação centrada na cidadania activa, criatividade, afectividade e no desenvolvimento do espírito crítico, consideramos que a Educação Social é o complemento ideal para se atingirem estes pressupostos de uma forma harmoniosa. Desta forma, passa-mos a identificar algumas das áreas de intervenção do Educador Social em contexto escolar. Questões como o desinteresse, a abstinência e o insucesso escolar; a indisciplina; os conflitos entre alunos ou com professores; os problemas familiares e/ou sociais, podem ser acompanhadas pelos Educadores Sociais integrados nos gabinetes de apoio ao aluno.”

 Pelo que conheço das escolas seria uma grande ajuda poderem contar com estes profissionais nas suas equipas. Com a autonomia que os agrupamentos têm de inserir equipas para tentarem responder aos problemas dos seus alunos, conheço algumas que vão neste sentido. Mas será uma batalha dura, primeiro para que esta especialidade de intervenção seja reconhecida, e depois pela falta de verbas.

Como sempre a prevenção dos problemas é esquecida. Depois surge a violência entre os alunos, a necessidade da presença da Escola Segura, os encaminhamentos para as Comissões de Protecção, para os serviços de pedopsiquiatria, o aumento da toxicodependência, a gravidez de adolescentes… E aí sim, gastam-se verbas muito maiores. Mas as estatísticas são mais fáceis de apresentar no fim do ano. Com a prevenção, só anos mais tarde se vêm os resultados e aí, até pode ser outro partido a estar no governo e a tirar os dividendos!

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