RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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A Espanha a caminho duma revolução política

Desde que a Espanha se tornou  uma democracia, há mais de 30 anos, a vida política do país  tem sido dominada por dois partidos: o PP, actualmente no poder e o PSOE. Mas face à  indiferenciação crescente  entre os dois partidos,  os  espanhóis estão se a virar  para uma nova proposta de política .

Espanha - XI

 O fim do chapéu branco – branco chapéu

(La fin de bonnet blanc – blanc bonnet?)

Conforme o ilustra este gráfico da Revista The Economist  os dois principais partidos da vida política espanhola alcançavam  ainda 75 por cento das intenções de voto há menos de dois anos atrás, o que correspondia aproximadamente aos resultados das eleições . Na maioria das vezes, nenhuma das duas partes conseguia alcançar uma maioria absoluta sozinho nas Cortes, embora o partido mais votado  se pudesse entender  com um dos pequenos partidos no Parlamento, na sua maioria partidos regionalistas (Catalães ou Bascos) com que formavam  então os votos necessários para ter uma maioria estável para o país.

Mas este cenário é susceptível de ser impossível  para as próximas eleições (que terão  lugar em Novembro de 2015, o mais tardar). Na verdade, os dois principais partidos juntos representam mais do que 45% das intenções de voto. Logicamente, o PP (centro-direita) viu o seu apoio ser dividido por  dois em pouco menos de dois anos  e isto por causa das  poções amargas infligidas no país para tranquilizar os investidores e a Troika. Mas isto não beneficiou o PSOE, que também viu seu apoio cair bruscamente, de quase 30% para  pouco mais de 20% por causa da sua responsabilidade na situação actual.

Resultado, estes dois novos partidos políticos progrediram  acentuadamente. Em primeiro lugar, a Esquerda Unida, o equivalente do Bloco de Esquerda  , viu as suas intenções de voto subirem fortemente de  7 para 17%, a apenas alguns pontos do PSOE. E outra formação, a União para o progresso e democracia (UPD), partido centrista, passa de   4,7 para 12-13%. Este partido, lançou-se em 2007, onde apenas tinha alcançado 1,2%, o que mostra que um partido moderado pode emergir. De repente, a questão que se coloca hoje, é a de saber  quais as  alianças que poderão permitir  formar uma maioria duradoura à saída das urnas na  próxima eleição legislativa, daqui a dois anos.

Um desafio significativo

E não vai ser fácil, porque estes dois  partidos ,que tem o vento em popa,  põem em causa e de forma radical  a maneira  como  o país tem sido  governado desde há  mais de três décadas. O partido UPD, cujo Presidente vem do PSOE, assenta a sua força em três ideias chaves: reforma eleitoral (o que permitiria ao  seu partido ter mais deputados), uma forte recentralização administrativa nas áreas de saúde e da educação, que irá questionar  três décadas de descentralização e querem um exame rigoroso sobre as responsabilidades  na  gestão da bolha do imobiliário  pelo PSOE e pelo PP e ainda sobre os excessos havidos nas  Caixas de Aforro .

O outro grande vencedor da crise económica é o primo do Bloco de Esquerda, A Esquerda Unida, que se opõe à aplicação das políticas de austeridade e de regressão social aplicadas pelo PSOE e pelo PP.  De repente, a próxima equipa no poder deve prosseguir políticas que vão mudar a paisagem política do país. Seja a UPD  integra  uma coligação que virá radicalmente sobre  a descentralização (que poderia ser a priori mais facilmente feito com PP, mais centralista  do que o PSOE) ou uma coligação de todas as esquerdas susceptíveis de porem em causa  as políticas de austeridade até agora seguidas.

O que é interessante aqui, é ver que em Espanha, como em todo o lado na Europa (excepto na Alemanha), a crise promove um profundo pôr em questão da situação pelos  cidadãos. Os grandes partidos tradicionais que nos conduziram à crise e que dela não conseguiram sair, são sujeitos à concorrência dos novos partidos.  Na maioria das vezes (UKIP na Grã-Bretanha), o M5S em Itália ou Syriza na Grécia, estes são partidos não extremistas que têm as suas próprias concepções políticas e respectivos programas . A crise cresce não ajuda os extremos a não ser na na Grécia (Golden Dawn) e em França (FN), mas por quanto  tempo?

A grave crise económica que atravessamos leva-nos a perspectivar  mudanças políticas em todos os países do continente. Estamo-nos a aproximar do momento em que esta mudança terá uma tradução concreta no plano real  e o que nos parece, hoje, é que as pessoas querem uma alternativa moderada e não extremista.

Laurent Pinsolle, L’Espagne vers une révolution politique, texto disponível em :

http://www.gaullistelibre.com/2013/07/lespagne-vers-une-revolution-politique.html

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