AS NOSSAS CRIANÇAS VÃO À ESCOLA MAS OUTRAS 57 MILHÕES NÃO por clara castilho

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É o que nos diz o relatório da UNESCO divulgado em Julho, Education for All Global Monitoring.

Calculam que dos 57 milhões de crianças não escolarizadas mais de metade vive em países que se encontram em guerra. Estão, de momento, muito preocupados com a situação que se vive na Síria. E, a maior parte são meninas.

Se quisermos ver alguma coisa de positivo, será na queda do número de crianças não escolarizadas, pois diminuiu desde 2008 de 60 milhões para 57 milhões em 2011. No entanto, os benefícios dessa evolução não se encontram nos países afetados por conflitos.

A distribuição é a seguinte: na África subsariana – 44 % dos 28,5 milhões de crianças, na Ásia meridional e ocidental 19 % e nos Estados árabes 14 %, de acordo com um outro relatório da Save the Children.

Geralmente as notícias dão mais revelo a outros aspectos que não estes dos “custos ocultos e das sequelas duradouras da violência”, nas palavras da diretora-geral da UNESCO, Irina Bokoya, que acrescentou que  “não é frequente que a educação integre a avaliação dos danos causados por um conflito”.

O relatório pode ser consultado em: http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002216/221668E.pdf. E nele podemos ler a situação de duas crianças.

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Sita, de 12 anos, tem estado a viver há 9 meses num campo de refugiados em Sevaré, no centro do Mali. Deixou a sua casa em Gao quando a guerra lá chegou e a sua escola foi atacada.

 “Fugi por causa das coisas que estavam a acontecer. Aquilo já não era nada divertido e não tinha mais nenhum sítio para ir. Quando estava na escola eles chegaram lá, assustaram-nos, partiram as mesas, destruíram os livros e outras coisas. Eu não gostei nada daquilo. A escola deve ser um lugar onde aprendemos coisas. Eles chegaram e correram connosco de lá.  Nós fugimos e corremos todos para casa. Nunca mais lá voltámos”.

 

Motasem  é um jovem com 16 anos, refugiado sírio a viver no Líbano. Fugiu só com as roupas no corpo. Não conseguiu acabar a sua formação devido ao conflito armado.

“Agora, os estudantes não vão à escola…. Eu estava no nono grau mas a guerra fez parar tudo e agora o meu futuro está destruído”.

 

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