“DONDE HABITE EL OLVIDO” DE LUIS CERNUDA

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Há 77 anos, por estes dias de Julho o estado espanhol, onde a República fora proclamada, vivia dias agitados com o desembarque do Exército de África. comandado por um general imbuído do espírito reaccionário e católico – um homem que dava pelo nome de Francisco Franco e, aliado de Hitler e de Mussolini, mergulhou Espanha no horror de uma Guerra Civil. Os chamados «nacionalistas»  consideravam a cultura inimiga dos valores que defendiam. As perseguições aos intelectuais foram frequentes e em alguns casos tiveram o desfecho de que o fuzilamento de Federico García Lorca foi um trágico exemplo. MIguel de Unamuno, um intelectual que, por esses anos, era considerado um espírito clarividente e uma voz lúcida, surpreendera o mundo ao manifestar o seu apoio à invasão franquista. Pouco tempo depois, em Outubro de 1936, ao pronunciar a sua lição de sapiência, como reitor da Universidade de Salamanca, foi interrompido pelo general José Millán-Astray e pelos falangistas presentes, que gritavam «Morte à inteligência! – Viva a morte!». Na guerra civil, a inteligência enfrentou a morte e foi derrotada. Estamos a recordar alguns dos vencidos. Hoje, falaremos de Luis Cernuda.Imagem1

 

Luis Cernuda nasceu em 1902 em Sevilha e morreu na Cidade do México em 1963. Em 1919, matriculou-se em Direito na Universidade de Sevilha. Aí conheceu a Pedro Salinas, seu professor, que o introduziu no mundo literário. Mudou para Madrid onde tomou contacto com poetas sa que viria a ser designada “Geração de 27”. E em 1927 Perfil del Aire, seu livro de estreia. Em 1928 ocupou o leitorado de castelhano na Universidade de Toulouse e começou a escrever os poemas de seu livro Un rio, un amor (1929). A proclamação da República entusiasmou-o. Em 1934 publicou Donde habite el olvido. Este é o poema que dá nome à colectânea:

 

Donde habite el olvido

Donde habite el olvido,

En los vastos jardines sin aurora;

Donde yo solo sea

Memoria de una piedra sepultada entre ortigas

Sobre la cual el viento escapa a sus insomnios.

Donde mi nombre deje

Al cuerpo que designa en brazos de los siglos,

Donde el deseo no exista.

En esa gran región donde el amor, ángel terrible,

No esconda como acero

En mi pecho su ala,

Sonriendo lleno de gracia aérea mientras crece el tormento.

Allá donde termine ese afán que exige un dueño a imagen suya,

Sometiendo a otra vida su vida,

Sin más horizonte que otros ojos frente a frente.

Donde penas y dichas no sean más que nombres,

Cielo y tierra nativos en torno de un recuerdo;

Donde al fin quede libre sin saberlo yo mismo,

Disuelto en niebla, ausencia,

Ausencia leve como carne de niño.

Allá, allá lejos;

Donde habite el olvido.

Durante a guerra manteve uma permanente actividade cultural, editando com outros poetas, como Alberti, a  revista “Hora de España”- e participando no  “II Congreso de Intelectuales Antifascistas” realizado em Valencia. Em 1938 deslocou-se a Inglaterra para algumas conferências. Já não regressou, dando in´cio ao seu exíio. Em 1940 publicou  “Las Nubes”. Em 1947, foi-lhe confiada uma cátedra na Universidade americana de Mount Holyoke, a qual ocupou  até 1952, ano em que  se fixou no México. Em 1956 publicou “Con las Horas Contadas” e em 1962 “Desolación de la quimera”. Morreu na Cidade do México, em 1963.

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