NOSTALGIA E ERRÂNCIA – por Sílvio Castro*

7 de Setembro de 2013 – toda a nossa edição será dedicada ao Brasil.

 

a edição será dirigida por Sílvio Castro

     

Sílvio Castro com Jorge Amado e Zélia Gattai

Sílvio Castro faz parte do grupo fundador deste blogue. Em 10 de Agosto de 2012 dirigiu a edição com que comemorámos o 100º aniversário de Jorge Amado. Em 7 de Setembro irá dirigir uma edição inteiramente dedicada ao Brasil. Lembramos alguns dados da sua biografia: nasceu no Rio de Janeiro. Poeta, ficcionista, ensaísta e titular da cátedra de Língua e Literatura Portuguesa e de Literatura Brasileira na Universidade de Pádua foi, em 1960-61, presidente da União Brasileira de Escritores. No campo da ficção, a sua obra mais divulgada é Memorial do Paraíso — o Romance do Descobrimento do Brasil, uma bela interpretação da “Carta de Pero Vaz de Caminha” ao rei D. Manuel, onde pela primeira vez o Brasil é descrito, trabalho a que Jorge Amado rendeu rasgados elogios. Um dos seus livros mais recentes, Poesia do Socialismo Português no Percurso de 1850 a 1974, estudo que ostenta como objectivo central demonstrar a existência, no período considerado, de um recorrente projecto de associar a poesia à realidade sociopolítica portuguesa. Nostalgia e errância, um poema que Sílvio nos acaba de enviar e que diz bem do seu amor ao Brasil:

                            Com a barca de Ulisses me descubro

                            milênios passados e                        

                           vogo sempre, mesmo nas quietas.

                           Enquanto vogo

                           Ulisses se faz não só errante,

                           mas pleno de indefinida nostalgia.

                           Seus olhos brilham luminosos

                           na viagem pelas águas

                           pelos sonhos.

                          

                           Com a barca de Ulisses primeiro

                           nostálgico feliz

                           me descubro mais brasileiro,

                           somos todos brasileiros,

                           após milênios de

                           errância e nostalgia,

                           também saudade.

            

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