EDITORIAL – «VIVA A MORTE! MORTE À INTELIGÊNCIA!»

Imagem2O assunto, que já ontem foi objecto no nosso editorial, é incontornável. E não o é pela importância intrínseca que teve um ser como foi  o  vigário-geral da Arquidiocese de Braga. O cónego Melo terá sido apenas um dos muitos cérebros formados pela mistura explosiva da tacanhez do regime salazarista com o que de mais retrógrado tem a Igreja Católica. O resultado da cumplicidade entre Salazar e o cardeal Cerejeira que, durante quase cinco décadas dominou o País. O que está em causa neste lamentável assunto é o aproveitamento que os inimigos da democracia fazem do sistema democrático para cuspir na História e para impor os símbolos do seu ódio à Liberdade. Não foi provado o seu envolvimento no assassínio do padre Max  e da estudante Maria de Lurdes – ou seja, as provas apresentadas pela acusação, embora fortes, foram anuladas por questões de natureza processual. O que conta neste caso da estátua é que o monumento não é uma homenagem ao sacerdote nem ao membro da direcção do Sporting de Braga. O monumento homenageia o putativo assassino dos dois jovens. É um símbolo da «resistência» do faascismo ao «avanço do comunismo». O facto de uma vereação, democraticamente eleita, não ter visto motivos para impedir este escarro do reaccionarismo católico, diz bem da natureza do sistema que nos governa. Os gritos raivosos que, na Universidade de Salamanca, interromperam a oração de sapiência de Miguel de Unamuno, ecoam ainda, 77 anos depois, em muitas mentes.

Lembremos a presumível «proeza» do cónego Melo. Em 1976, o  nome do padre Maximino de Sousa surgiu numa lista da UDP por Vila Real, os meios da direita da região Norte enfureceram-se. O  MDLP, entrou em acção. O que consta e parece ter sido provado em juízo foi que o oficial da Força Aérea e conselheiro da Revolução, José Canto e Castro, comprou em Londres uma bomba, que foi entregue a Rui Castro Lopo, director de um jornal de Chaves. Este passou-a aos operacionais: Valter dos Santos, funcionário do município de Valpaços, antigo oficial do Exército, conhecedor de explosivos, Alfredo Vitorino, electricista, Carlos Paixão, engenheiro electromecânico, e Alcides Pereira, motorista. Colocada no carro do padre Max, a bomba foi detonada por controlo remoto, no dia 2 de Abril, quando este saía de casa: Maximino de Sousa e uma estudante que o acompanhava, Maria de Lurdes Costa, morreram. Foram identificados como inspiradores e organizadores do crime Alpoim Calvão, o chefe da PSP Mota Freitas e o cónego Eduardo Melo Peixoto, de Braga. Um dos cúmplices que ameaçava falar, Ferreira Torres, foi assassinado numa estrada. Três vezes mandado encerrar “por falta de provas” e três vezes reaberto por insistência do advogado Mário Brochado Coelho, o processo foi-se arrastando através de recursos e manobras dilatórias, acabando por prescrever e ser definitivamente encerrado.

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Noticiam os jornais de hoje: «Enquanto a imagem de cobre que representa o cónego Eduardo Melo continuar na cidade de Braga, os protestos vão continuar. A promessa foi deixada esta segunda-feira por cerca de uma centena de bracarenses que se opõem à homenagem ao cónego e que se manifestaram exigindo a sua demolição. “Abaixo a estátua”, gritaram.  O “apeamento” da estátua do cónego Melo foi a exigência mais difundida ao final da tarde, quer por palavras de ordem quer através da faixa colocada na relva da Rotunda do Monte D’ Arcos, na qual se lia “Democracia sim. Abaixo a estátua”».

2 Comments

  1. Bravo Carlos Loures!
    Quebre-se a estátua!
    um abraço solidário na justa indignação contra os inimigos da liberdade!
    Rachel Gutiérrez

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