DECOTE E ESPREITADELA NO CENTRO COMERCIAL – por António Mão de Ferro

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Olhou para o relógio e viu que eram horas de comer qualquer coisa, dirigiu-se para a zona dos restaurantes (comidas rápidas e económicas) e viu filas em vários deles.

Optou por se dirigir a um local onde viu escrito vitaminas. Olhou para as ementas e pediu uma sandes de atum com ovo cozido num pão de mistura, um sumo de laranja natural e pagou.  Puseram um tabuleiro em cima do balcão e ele sem o levantar empurrou-o até chegar à empregada que o atendeu e lhe perguntou – Quer um ovo ou dois? Ele respondeu: –  Veja o que eu paguei. Ela disse que aquele tipo de sandes além do atum e do ovo acompanha com tomate e alface, como ele não tinha pedido estes dois acompanhamentos, tinha direito a mais um ovo.

Ele disse que sim embora tivesse ficado a pensar se umas folhas de alface e umas rodelas de tomate, teriam o valor de um ovo. Puseram a sande em cima do tabuleiro, faltava o sumo de laranja, estava outra empregada junto à máquina a prepará-lo. Assim que chegou o sumo, pegou no tabuleiro e procurou um lugar para se sentar, não viu nenhum e quando se ia a dirigir para um sítio que parecia uma manjedoura para comer de pé, levantaram-se pessoas de uma mesa.

Ainda disse para o último a levantar-se, veio mesmo a calhar, mas ele levantou-se e não disse nada. Sentou-se a uma ponta da mesa e passado pouco tempo um casal na casa dos quarenta, sentou-se na outra ponta. Não disseram nem bom dia nem boa tarde, e para dizer a verdade nem para ele olharam! Passado pouco tempo, à sua frente, sentou-se uma rapariga, que devia ter entre os 20 e os 30 anos. Dez anos de diferença é um bocado, mas para não faltar à verdade vale mais dar um espaço largo. Hoje em dia as pessoas tratam-se, arranjam-se e às vezes o seu aspeto engana a idade!

Largo também era o seu decote, o que mostrava bem que tinha havido bastante economia de roupa ao fazer a blusa. Sentou-se e nem cumprimentou, muito menos sequer disse se dava licença. A rotina faz com que as pessoas se sentem no sítio onde há uma cadeira e “quem está está, e quem vem vem”!

Claro que a ele não lhe passou despercebido o que o decote deixava ver. Primeiro olhou como quem não quer a coisa. Depois ia olhando, mas tentando não dar nas vistas. Mas uma vez ela olhou para ele quando ele estava com os olhos no peito dela. Ele sorriu, ela não! Ele ainda disse: – isto hoje está com muita gente. Para ela foi como se ele não tivesse dito nada! Como ele come devagar, ainda não tinha acabado de comer quando ela se levantou. Ao fazê-lo deixou ainda mais peito à mostra.

Ao observá-lo, o peito claro, disse para consigo: -Tenho que cá vir mais vezes

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