RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

De acordo com o sindicato SUD – PTT, os correios franceses têm uma equipa que contabiliza os suicídios

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Anne Michel, LE MONDE | 28.08.2013

 França - III

Existe ou não uma equipa de vigia sobre os suicídios nos Correios de França? O sindicato SUD – PTT levantou esta hipótese, terça-feira, 27 de Agosto, ao anunciar, num comunicado, após o suicídio de mais um empregado dos Correios no seu local de trabalho, em 22 de Agosto em Langeac (Haute-Loire), ter sido informado da existência de uma equipe “ligada à direcção (…), que contabiliza os suicídios em relação com a sua actividade profissional”.

Este grupo de trabalho e de vigia “de existência informal” ligada à direcção de controle de risco, teria identificado, desde 2008, de acordo com informações recolhidas por este sindicato , uma média de 40 suicídios que podem ter uma ligação com o respectivo trabalho – 34 suicídios no “melhor” ano , 50 para o pior. Ou seja cerca de 200 suicídios em cinco anos, de 2008 a 2012…

Um número alarmante de acordo com o sindicato SUD , que, se fosse provado, dizem-nos (ou seja, oficialmente confirmado pela investigações da Administração e da polícia realizadas após cada acidente), revelaria uma taxa de suicídio perto daa taxa de suicídio da população francesa, mas maior do que a dos suicídios relacionados com o trabalho…

Para o sindicato SUD, o mal-estar no trabalho é patente nos Correios , onde os 243.000 funcionários enfrentam reorganizações permanentes desde há quinze anos. ” O grande diálogo social ” iniciado pelo Presidente executivo Jean-Paul Bailly após da onda negra de suicídios de 2011 e 2012, encarnada pela Comissão Kaspar (Jean Kaspar, figura do sindicalismo francês) nada resolveu.

Duzentos suicídios em cinco anos? Entrevistada por Le Monde, a direcção dos Correios nega categoricamente. Esta valor não existe nos Correios onde não há nem houve nenhuma estatística do número de suicídios, particularmente delicada e perigosa para se estabelecer.

A anterior France Telecom e a gestão desastrosa dos suicídios pelo antigo Presidente executivo Didier Lombard tem marcado os espíritos e serviu como uma lição. Nenhum mandato, continua a direcção, foi confiada a qualquer equipe de qualquer tipo, para fazer uma tal contabilidade dos suicídios verificados.

“Nós assumimos”

Uma equipa de vigia nacional sobre os acidentes graves, incluindo suicídios como as agressões, roubos e acidentes, está na verdade ligada à gestão de riscos. Mas este serviço opera 24 horas sobre 24 e 6 dias por semana, comparável ao que existe nas grandes empresas de transporte e tem somente como missão alertar os dirigentes e assegurarem-se de que tudo está a ser implementado para enfrentar as situações detectadas. Se houvesse uma contabilidade de suicídios, esta não teria nenhuma legitimidade.

“Não sei de nenhuma contabilidade dos suicídios, diz Sylvie François, directora de recursos humanos do grupo público. “Não pode haver análise escondida para essas acções perturbadoras de homens e da empresa, mas inquéritos do CHSCT [Comité de higiene, segurança e de trabalho ] e da polícia.” “O nosso dever, quando tais tragédias ocorrem, diz ela, é verificar que tudo é feito nos níveis locais e nacionais para controlar a situação, analisá-la e tê-la em conta para o futuro. Nós assumimo-lo com o máximo rigor. É a nossa responsabilidade de empresa que está em jogo”.

Para a senhora François, os Correios dão prioridade à “forma como gerir a mudança”. Foi criado um mecanismo de alerta, que permite aos funcionários contestarem toda e qualquer nova organização do trabalho. Na terça-feira, o sindicato Sud pediu para ser recebido pelo Ministro da recuperação produtiva, Arnaud Montebourg, para que “a urgência social seja tida em conta” no contexto da designação de um sucessor para o Presidente Executivo, Bailly.

Anne Michel, Selon le syndicat SUD-PTT, La Poste dispose d’une cellule qui comptabilise les suicides, Le MONDE, 28 de Agosto de 2013

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