Mesmo com a imprensa popular concentrada sobre a queda do Lehman Brothers no dia em que se relembravam os 5 anos passados, decidimos relembrar os últimos dez anos e dar uma olhada o que aconteceu com a economia de mundo desenvolvido na última década, começando em 2003. O que encontramos foi interessante.
- . O total da dívida consolidada do G7 era de $80 milhões de milhões em 2003. Na década seguinte subiu de $62,3 milhões de milhões tendo passado para US $142 milões de milhões no final de 2012. Este é um impressionante aumento de 80% do valor total da dívida mundial em apenas uma década.
- O PIB total do G7 foi de US $22 milhões de milhões em 2003. Nos últimos dez anos, o PIB aumentou de US $9,4 milhões de milhões, ou seja de 42%, enquanto a dívida total aumentou para o dobro no mesmo período de tempo.
- Até 2003, cada US $3,6 dólares de dívida geraram US $1 dólar no crescimento do PIB
- Nos últimos dez anos, foram necessários $6,7 dólares de dívida para criar $1 dólar de “crescimento” económico.
- Mais ainda, como se pode mostrar, nos últimos cinco anos, ou desde a falência do Lehman Brothers, esta proporção explodiu e agora são necessários uns $18 dólares de dívida por cada $1 dólar do PIB criado adicionalmente, em que somente com apenas US $1 milhão de milhões de PIB nominal que foi criado adicionalmente no conjunto dos países do G7 nos últimos cinco anos, este crescimento foi acompanhados pelo aumento de $18 milhões de milhões de dívida.
- O total da dívida relativamente ao total do PIB do conjunto dos 7 no final de 2012 era de 450%.
Em resumo: os economistas podem debater se Reinhart e Rogoff estavam ou não errados sobre o valor limite dos 90% dívida pública /PIB que representa um limite de corte para que haja crescimento do país. O que, no entanto, é claro, é que quando a dívida/PIB consolidada é cinco vezes esse valor limite, o crescimento, bem, este é então uma agradável ficção.
Face a estes dados julgamos muito oportuno reproduzir aqui os comentários de António Cerveira Pinto no seu blog e a quem pedimos desculpa pela liberdade tomada.
Diz-nos António Cerveira Pinto :
THE BIG PICTURE: a dívida consolidada dos países do G7 entre 2003 e 2012 aumentou 80%, sendo hoje necessários 18 USD para produzir um único novo dólar de PIB.
Se aplicarmos estes números a Portugal, que não faz parte do G7 (E.U.A., U.K., França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão), e portanto o desvio para a desgraça será ainda maior, o resultado seria este:
— para aumentar apenas em 1% o PIB português de 2012 seria preciso um acréscimo do investimento (i.e. de nova dívida) na ordem dos 29.773.656.000 euros;
— para aumentar em 2% o PIB seria necessário o dobro, i.e. mais do que o empréstimo da Troika acordado no primeiro resgate do país, por cada ano do famoso crescimento apregoado pela ‘esquerda’ fandanga e pelo senhor Seguro.
Portugal — PIB 2012: 165.409.200.000 eur
Crescimento de 1%: 1.654.092.000 eur
Investimento necessário para subir 1% no PIB: 29.773.656.000 eur
Ou seja, é fácil perceber que Portugal já se encontra em plena situação de insolvência e a bancarrota só depende agora dos credores :
Mais do que atirar pedras aos culpados, é preciso removê-los quanto antes dos lugares que continuam a ocupar. Como, perguntar-se-à? Pois só há uma maneira: levando a cabo uma revolução democrática!
ACP
Depois de ler estes comentários de ACP percebemos que há apenas uma saída, votar, votar, mas apenas naqueles que frontalmente e sem nenhuma ambiguidade querem outra Europa, não esta, nem o fim que esta nos destina.

