Não me dês um título entre este rígido corpo e o cosmos
Deixa-me o traço fino deste constrangedor aperto
entre o que sou e o que não sou
Se fores capaz de me abrir estes braços cruzados
entre o ser e o não ser não me importa que me vejam o rosto
Deixa-me o traço fino do ser entre as mãos livres
e o pensamento cósmico da mente liberta
Não desfaças as sombras por imposição da luz
nem me dês um título entre o corpo rígido e o cosmos
Deixa-me o traço fino do gesto e a música do silêncio
Ilustração: Reprodução de um quadro de Adão Cruz

