NÃO ME DÊS UM TÍTULO – poema de Adão Cruz

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Não me dês um título entre este rígido corpo e o cosmos

Deixa-me o traço fino deste constrangedor aperto

entre o que sou e o que não sou

Se fores capaz de me abrir estes braços cruzados

entre o ser e o não ser não me importa que me vejam o rosto

Deixa-me o traço fino do ser entre as mãos livres

e o pensamento cósmico da mente liberta

Não desfaças as sombras por imposição da luz

nem me dês um título entre o corpo rígido e o cosmos

Deixa-me o traço fino do gesto e a música do silêncio

Ilustração: Reprodução de um quadro de Adão Cruz

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