No seu texto sobre o novo nacionalismo económico, Satyajit Das chama-nos a atenção para as consequências políticas que implicam as alterações nos sistemas económicos e financeiros. Chama a atenção para que um mundo de economias fechadas tenderá à formação de pequenos blocos comerciais e de acordos bilaterais. E para que as relações económicas alteradas implicarão novas alianças políticas. Termina frisando a necessidade de se reflectir sobre a situação actual, não cedendo às pressões das tendências dominantes. Cita Orwell, quando este refere a tendência dos intelectuais de curvar perante o conquistador de momento, de aceitarem a tendência do momento como irreversível. Vejam em:
Quando Angela Merkel fala em austeridade e competitividade, lemas que tem procurado impor à Europa, sobretudo aos países chamados de periféricos, para não lhes chamar fracos ou de segunda ordem, está consciente de que assim encerra uma porta, a da igualdade política entre os países da Europa. Confirma a Alemanha como potência de primeira grandeza, desafia a Inglaterra e a França, e dá o recado aos EUA e ao resto do mundo que ela está em primeiro lugar na ordem interna europeia. Se dentro da União Europeia e da zona euro se faz valer pelo seu poderio económico, fora procura fazer valer o peso da Europa como um grande mercado e um farol da democracia e dos direitos humanos.
Claro que a estratégia de Merkel cai por terra, em primeiro lugar, devido aos seus erros, como por exemplo não aceitar a Turquia na Europa, não compreender que uma competitividade forte continua a implicar um poder militar forte, e que os EUA falam muito na Europa unida, mas na realidade desconfiam de uma união política europeia consolidada, e ainda por subestimar a reacção dos outros povos ao nacionalismo arrogante que por vezes os alemães exibem.
Este último ponto, aceite pela generalidade dos comentadores e da opinião pública em geral, como uma coisa detestável, mas perante a qual há que passar adiante, poderá ser o elemento decisivo para levar à fractura das organizações europeias. Pode vir a ter consequências muito perigosas como o recrudescimento da extrema-direita e do nacionalismo xenófobo por todo o lado. A Grécia pós-crise financeira oferece muitos elementos sobre este tópico, que permitem uma previsão do que poderá acontecer um pouco por toda a Europa do sul, e não só, se esta caminho se agravar. O recrudescimento das economias fechadas poderá ser facilmente acompanhado por um regresso de sistemas políticos autoritários em vários países, semelhantes aos que irromperam nos anos de 1930.

