Enquanto se incentivam as pessoas para irem viver para as zonas do interior, esvaziam-no de Instituições, como escolas, hospitais, tribunais e repartições de finanças.
Apesar de tudo, e como os acessos hoje estão bastante mais facilitados e uma grande parte da população dispõe de carro próprio, não admira que a opção de mutas famílias passe pelo regresso ao campo, seja para trabalhar na agricultura, seja para trabalhar em profissões liberais ou naquelas onde seja possível laborar sem a necessidade de estar presente na empresa. E cada vez são mais as profissões que o permitem.
Muitas das pessoas fugiram do campo porque, para além das poucas oportunidades de trabalho, também se encontravam aborrecidas com o controlo social que ali era exercido. Toda a gente sabia da vida uns dos outros e muitas não se sentiam muito satisfeitas por serem objeto de crítica da vizinhança e de estarem sujeitas a mexericos.
Assim a vinda para uma grande cidade dava-lhes uma certa sensação de liberdade e de poderem fazer o que quisessem sem serem alvo de falatório. O seu desejo de fazer a sua vida sem controlo social e sem críticas era tão grande que ninguém fez o mais pequeno esforço para estimular as relações de vizinhança e daí que se viva em prédios com vários andares sem que nalguns casos se saiba quem vive no andar de cima ou no de baixo e mesmo o que mora em frente também mal se conhece. As pessoas queriam autonomia.
A vida nas grandes cidades dá essa autonomia, mas carateriza-se por um grande alheamento dos outros. Se uma pessoa tem o azar de necessitar de ajuda está tramada, pois é capaz de se passar por um semelhante caído na rua e nem se lhe prestar auxílio. Uns porque nem reparam, outros porque vão cheios de pressa, outros fingem não ver e outros ainda porque acham que “quem cai, cai e quem vai, vai”! No campo isso não acontece.
Para fugir a este isolamento muitos voltarão às origens e outros estão agora a fazer parte de várias associações, religiosas, políticas, etc. e graças às redes sociais a organizar encontros com grupos de antigos amigos, colegas de escola, de trabalho etc.
As pessoas anseiam agora por conviver, por fazer parte de grupos. Isso é salutar, mas é importante que não desistam da sua própria personalidade para se protegerem no meio de um grupo, como faz um camaleão com o seu meio ambiente.
Desistir de quem se é, é tornar-se “em material perfeito” para ser conduzido por poderes persuasivos e meio caminho andado para se poder vir a entregar a poderes totalitários.

