Em 20 de Novembro de 1906, na Câmara de Deputados, Afonso Costa, condenando as medidas que João Franco determinara, com a aprovação do rei, fez uma intervenção que pôs o país em polvorosa: «Por muitos menos crimes do que os cometidos por D. Carlos I, rolou no cadafalso, em França, a cabeça de Luís XVI». Numa entrevista, Mário Soares, parafraseou Afonso Costa: «O Presidente Cavaco Silva devia lembrar-se da história do século xx. Por muito menos que isto foi morto D. Carlos», E nós parafraseamos o Dr. Mário Soares: «Passos Coelho e os que integram o seu gabinete deviam lembrar-se do dia 19 de Outubro de 1921 – por muito menos do que estão a fazer, foi morto António Granjo e outros membros do executivo». As recomendações pecam por optimismo – sabe lá Cavaco Silva o que se passou em 1 de Fevereiro de 1908, ou conhece lá Passos Coelho o drama de 19 de Outubro de 1921!… Foram assassinados nesse dia António Granjo, primeiro-ministro, figura histórica da República, herói da Guerra e José Carlos da Maia, também ele um histórico do 5 de Outubro, várias vezes ministro. As outras vítimas eram gente menos conhecida. Merece a pena saber o que se passou.
Temos um dossiê sobre este tema, para essa pasta remetemos os nossos amigos e leitores.
Dossiê NOITE SANGRENTA
O Mistério da Camioneta Fantasma – por Helder Costa (Setembro/Outubro de 2010)
http://www.aovivoprod.com/artists/Misterio_Da_Camioneta_Fantasma/teatro_44_189.jpg
A noite sangrenta e a camioneta fantasma – por José Brandão (30 de dezembro de 2011)
A noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921 – por Carlos Loures (19 de Outubro de 2012)

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Faz hoje 97 anos que decorreu a Noite Sangrenta, episódio medonho da história de Portugal, que fazia prever o 28 de Maio e a implantação do fascismo. Nos tempos turbulentos que vivemos, com a ascensão de Trumps e Bolsonaros, é sempre bom recordar a história passada, a ver se conseguimos preparar melhor o futuro.